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Relator modifica texto para aprovar redução da maioridade penal

  • 17/06/2015 21h21publicação
  • Brasílialocalização
Iolando Lourenço - Repórter da Agência Brasil

A aprovação por 21 votos a 6 do parecer do deputado Laerte Bessa (PR-DF) à proposta de emenda à Constituição (PEC) 171/93, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos, foi possível após muitas negociações e alterações no texto que Bessa havia apresentado na semana passada. Para conseguir um amplo apoio, ele acrescentou um complemento de voto estabelecendo que a redução da maioridade será apenas para os casos de crimes hediondos (como estupro e latrocínio), lesão corporal grave e roubo qualificado. 

O relator da comissão especial sobre maioridade penal, deputado Laerte Bessa, durante discussão e votação da PEC 171/93 que reduz a maioridade de 18 para 16 anos (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O relator da comissão especial sobre maioridade penal, deputado Laerte Bessa, durante discussão e votação da PEC 171/93 que reduz a maioridade de 18 para 16 anos Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Laerte Bessa retirou do novo texto a consulta popular (referendo) para ouvir a população sobre a redução da maioridade. “Achamos que o referendo já não precisava mais. A legitimidade é fortalecida pelas pesquisas hoje realizadas no Brasil, em que 90% do povo brasileiro já assinaram a redução da maioridade”. O relator manteve no texto que as penas a serem aplicadas aos menores de 18 anos e maiores de 16 anos serão cumpridas em ambientes separados dos adultos e dos menores de 16 anos. 

Ao apresentar o complemento de voto, o relator disse que aproveitou grande parte do voto em separado apresentado pelo PSDB, por meio do deputado Jutahy Junior (BA). Segundo Bessa, sua posição pessoal é mais “contundente” do que a apresentada na complementação de voto, mas que acatou as sugestões do tucano para facilitar as negociações e para atender às diversas posições partidárias e ao clamor da sociedade “pela repressão aos crimes de maior gravidade cometidos por adolescentes”. 

O relator que é delegado aposentado da Polícia Civil do Distrito Federal disse ter convicção de que uma pessoa aos 16 anos é capaz de saber o que é certo e o que é errado, o que é lícito ou ilícito, convicção adquirida nos 30 anos de atividade policial em que enfrentou “bandidos e delinquentes menores nas ruas”. Bessa ressaltou estar convencido de que o seu parecer será aprovado no próximo dia 30, em primeiro turno na Câmara. “Não tenho dúvidas de que no dia 30 aprovaremos [o texto] em primeiro turno”. Como se trata de PEC, para ser aprovada, são necessários os votos favoráveis de, no mínimo, 308 deputados. 

O deputado Alessandro Molon (RJ), vice-líder do PT, e um dos que mais lutaram na comissão para a rejeição da proposta, por entender que a redução é inconstitucional e que não contribuirá para diminuir a violência, disse que os contrários à matéria vão trabalhar para mudar o resultado no plenário. “Lá [no plenário], eles terão que conseguir 60% dos votos e não mais a metade mais um. Aqui era mais difícil, no plenário acredito que nós tenhamos mais chances de mostrar que a proposta é inconstitucional e que, em vez de reduzir a violência, vai agravar, levando menores a presídios que são pós-graduações do crime”. 

Manifestantes contrários à redução da maioridade penal fazem um apitaço do lado de fora da sala de reuniões em que deputados analisam a proposta (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Manifestantes contrários à redução da maioridade penal fizeram apitaço do lado de fora da sala de reuniões em que deputados analisaram a proposta Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ao término da votação, deputados da Frente Parlamentar da Segurança Pública comemoraram o resultado da votação, enquanto manifestantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) e da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes) e de movimentos contrários à redução da maioridade, que não puderam acompanhar a votação no plenário da comissão, voltaram a gritar palavras de ordem, além de promover um apitaço. 

Os deputados defensores da proposta deixaram a comissão cantando “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. Enquanto isso, os manifestantes responderam gritando “fascistas, racistas, não passarão”. A Polícia Legislativa teve que intervir para evitar um confronto entre manifestantes e parlamentares.

Edição: Aécio Amado