PF desarticula organização suspeita de fraudar R$ 28 milhões do Dpvat

Publicado em 13/04/2015 - 10:01 Por Ivan Richard - Repórter da Agência Brasil - Brasília
Atualizado em 13/04/2015 - 19:35

A Polícia Federal (PF) prendeu na madrugada de hoje (13) servidores públicos, policiais civis e militares, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, dentistas e agenciadores de seguros suspeitos de fazerem parte de uma organização criminosa especializada em fraudar o Seguro Obrigatório de Danos Pessoais (Dpvat). As fraudes no seguro pago às vítimas de acidentes causados por veículos automotores de via terrestre podem chegar a R$ 28 milhões.

Polícia Federal (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Ao todo, estão sendo cumpridos 229 mandados judiciais dos quais 41 mandados de prisãoMarcelo Camargo/Agência Brasil

Estão sendo cumpridos 229 mandados judiciais – 41 de prisão, sete de condução coercitiva, 61 de busca e apreensão, 12 para afastamento de cargo público, 51 para sequestro de bens e 57 referentes à quebra de sigilos bancários. A ações da Operação Tempo de Despertar ocorrem em Goiás, Brasília, no Espírito Santo, na Bahia e em Minas Gerais.

As investigações – feitas em parceria entre a PF, o Ministério Público, a Corregedoria da Polícia Civil e a Polícia Militar de Minas Gerais – constataram que o grupo criminoso usava vários métodos para fraudar o seguro Dpvat, entre eles, o  ajuizamento de ações judiciais por escritórios de advocacia sem conhecimento e autorização das vítimas. Segundo a PF, a quadrilha falsificava assinaturas em procurações e declarações de residência falsas.

A organização também ajuizava ações, de forma simultânea, em comarcas distintas, sem relação com o local do acidente e sem que as vítimas tivessem conhecimento do ajuizamento de ação. Os mandados judiciais estão sendo cumpridos nas cidades mineiras de Almenara, Bocaiuva, Brasília de Minas, Capelinha, Capitão Eneas, Coração de Jesus, Corinto, Cristália, Curvelo, Diamantina, Espinosa, Francisco Sá, Janaúba, Januária, Japonvar, João Pinheiro, Juiz de Fora, Lontra, Manga, Minas Novas, Mirabela, Monte Azul, Paracatu, Pirapora, Porteirinha, Ribeirão das Neves, Salinas, São Francisco, São João da Ponte, Sete Lagoas, Taiobeiras, Turmalina, Várzea da Palma, além de Guanambi e Urandi, na Bahia, e municípios do Rio de Janeiro.

Os suspeitos poderão responder judicialmente pelos crimes de formação de quadrilha, estelionato, falsificação e uso de documentos públicos, corrupção ativa e passiva e facilitação ou permissão de senhas de acesso restrito a terceiros.

De acordo com a Polícia Federal, a Operação Tempo de Despertar é resultado de uma série de outras ações desencadeadas pelas polícias estaduais, nos últimos anos, que apuraram suspeitas de fraude no Dpvat.

“Nos últimos anos, grande quantidade de operações foram deflagradas em todo o Brasil com o objetivo de coibir fraudes no seguro Dpvat. Elas já davam conta de que a atividade criminosa podia ser sustentada por um grupo organizado, com ramificações em diversas áreas da administração pública, envolvimento de policiais, empresários e empresas de seguro, além de número expressivo de advogados”, diz nota da PF.

Com as informações dessas operações, a Polícia Federal iniciou as investigações que resultaram na operação desencadeada para identificar os líderes do esquema que, segundo a PF, devem estar "no interior da seguradora responsável pela gestão do seguro Dpvat”.

Com o nome da operação, a PF pretende chamar a atenção da sociedade para o “despertar” contra fraudes e crimes cometidos à coletividade. 

Em nota, a Seguradora Líder-Dpvat diz que apoia a operação da Polícia Federal. "As pessoas envolvidas não integram os quadros da seguradora e atuam fora, em hospitais e órgãos públicos, ou por meio de escritórios de intermediários. A seguradora sistematicamente apresenta denúncias às autoridades competentes nos casos que há suspeita de fraudes para que o Ministério Público e a polícia façam as investigações, com vistas a inibir a atuação dos fraudadores", destaca o texto.

 

*Matéria alterada às 13h27 do dia 13/04/15 para corrigir informação. Diferentemente do que o texto informava, os municípios de Guanambi e Urandi ficam na Bahia, e não em Minas Gerais. A matéria foi novamente alterada às 19h35 do dia 13/04/2015 para acréscimo do posicionamento da Seguradora Líder-Dpvat

Edição: Marcos Chagas

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