Ghosn teria usado recursos da Nissan para cobrir prejuízos pessoais

Informação é da imprensa janponesa

Publicado em 27/11/2018 - 13:50 Por Agência EFE - Tóquio

Ex-presidente da Nissan Motor, o franco-brasileiro Carlos Ghosn cobriu, supostamente com fundos da empresa japonesa, perdas de investimentos pessoais no valor de US$ 15 milhões, segundo informou nesta terça-feira (27) a agência local Kyodo.

De acordo com a agência, que cita fontes conhecedoras do caso, Ghosn sofreu esses prejuízos durante a crise financeira de 2008 e não pôde cobri-los, razão pela qual supostamente foram repassadas às contas de Nissan.

Esta revelação se soma a uma série de atos de má conduta financeira e fiscal que Ghosn supostamente cometeu nos últimos anos e que derivaram na sua detenção, no último dia 19 de novembro.

Ghosn, que está detido desde a semana passada, em uma prisão de Tóquio, à espera da acusação formal, foi demitido do cargo de presidente da Nissan na quinta-feira passada, e nesta segunda-feira (26) também das mesmas funções na Mitsubishi.

Segundo a Kyodo, o regulador da bolsa do Japão conhecia as perdas de Ghosn pelas suas operações em derivados financeiros e tinha notificado o banco envolvido nessas transações da possibilidade de um caso de abuso de confiança.

A informação, no entanto, não detalha se, caso os prejuízos tenham sido cobertas pela Nissan, Ghosn pôde devolver essas somas posteriormente, ou se foram anotadas na conta de futuros desembolsos.

Acusações

Esse caso se soma a uma série de acusações das quais Ghosn foi alvo desde que foi detido, na maioria dos casos conhecidos por vazamentos aos meios de comunicação, à espera da divulgação da acusação formal.

Quando foi detido, Ghosn, de 64 anos, foi notificado de que informou às autoridades apenas metade das receitas que recebeu entre 2011 e 2014 e tendo, supostamente, deixado de declarar 5 bilhões de ienes (US$ 43 milhões), segundo informou a promotoria.

Junto a isso, os meios de comunicação citam a possibilidade de que a Nissan pagou por duas casas de luxo, no Rio de Janeiro e em Beirute, para o uso de Ghosn, bancou centenas de milhares de dólares em férias familiares e cobriu despesas de aviões privados para seus deslocamentos pessoais.

De acordo com a imprensa local, Ghosn negou estas irregularidades e assegurou que não estava obrigado a declarar às autoridades fiscais os números mencionados.

Aparentemente, tratava-se de somas não abonadas, mas que tinham sido fixadas para quando Ghosn se afastasse de suas funções à frente da Nissan, o que abre disputas legais entre as partes sobre se estava obrigado ou não a pagar impostos por essas somas.

Segundo informa hoje o jornal financeiro Nikkei, foi o próprio Ghosn quem ordenou que a Nissan pagasse 1 bilhão de ienes anuais de suas receitas, acreditando que a companhia não estava obrigada a registrá-lo nas contas apresentadas aos reguladores das bolsas de valores.

"À margem de quando se determine a data do pagamento, os abonos devem ser reportados [ao regulador da bolsa e às autoridades fiscais] no momento em que se fixaram as quantias", disse ao mesmo jornal o analista contábil e professor universitário Shinji Hatta.

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