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Ex-representante de offshore deve depor na CPI da Petrobras na próxima semana

  • 19/03/2015 12h32publicação
  • Brasílialocalização
Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil
Reunião da CPI da Petrobras (Antonio Cruz/Agência Brasil)

CPI quer ouvir Júlio Faerman, ex-representante da SBM Offshore. acusada de integrar esquema de pagamento

de  propina  a  funcionários  da  Petrobras  para  obter  contratos  com  a empresaAntonio Cruz/Agência Brasil

Os deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras tomarão, na próxima quinta-feira (26), o depoimento do empresário Júlio Faerman, ex-representante da empresa holandesa SBM Offshore. Hoje (19), a CPI tentou ouvir o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque, que usou a prerrogativa de permanecer calado, uma vez que está sob investigação da Justiça.

A SBM Offshore é acusada de integrar o esquema de pagamento de propina a funcionários da Petrobras para obter contratos com a estatal. Em depoimento na CPI, o ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, primeiro a depor no colegiado, disse que sua participação no esquema de pagamento de propina na empresa começou em 1997, recebendo propina da empresa holandesa.

João Vaccari Neto

Pedro Barusco disse ter discutido repasse de propina com  o  tesoureiro  do  PT       Arquivo/Agência Brasil

Barusco revelou ter discutido o pagamento de propina com o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Ele contou que recebido da SBM Offshore US$ 300 mil, que disse ter repassado ao PT para uso na campanha presidencial de 2010. Em depoimento na Justiça, Barusco estimou que o PT tenha recebido de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões, entre 2003 e 2013.

Além de Faerman, a CPI definiu a data em que vão depor o gerente da Refinaria Abreu e Lima, Glauco Legati (31 de março) e o diretor de Gás e Energia da Petrobras, Hugo Repsold (7 de abril). Após as revelações de Barusco, há possibilidade de a comissão convocar também o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, para depor – há vários requerimentos neste sentido que podem ser aprovados na reunião da próxima semana.

A CPI já ouviu o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que, em depoimento espontâne,o acusou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, de ter agido politicamente na escolha dos nomes que integraram a lista por ele enviada ao Supremo Tribunal Federal como envolvidos no esquema de corrução. Cunha é um dos citados na lista, com pedido de abertura de inquérito, encaminhada ao Supremo.

 

 O ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli depõe na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga denúncias de irregularidades na estatal (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Em  depoimento  na  CPI,  Gabrielli  defendeu  a Petrobras Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Outro convocado pela CPI foi o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli. Em seu depoimento, Gabrielli disse que não acredita na existência de um esquema de corrupção sistêmica na companhia petrolífera. Para ele, é preciso separar a Petrobras daqueles que desviaram recursos dela.

Na terça-feira (17), a SBM Offshore assinou um memorando de entendimento com a Controladoria-Geral da União (CGU) e com a Advocacia-Geral da União (AGU), para que a Petrobras apresente informações relevantes às investigações. A medida, com o ressarcimento de prejuízos, caso comprovados, pode livrar a empresa das punições previstas em lei.

Edição: Marcos Chagas