logo Radioagência Nacional
Direitos Humanos

Comissão da Verdade do Rio afirma que militares planejavam morte de Glauber Rocha

Baixar
Raquel Junia
17/08/2014 - 19:17
Rio de Janeiro

Os passos do cineasta Glauber Rocha foram seguidos de perto pela ditadura militar, que, inclusive, pode ter tido planos de matar o diretor de cinema. As informações inéditas estão em uma série de documentos entregues neste final de semana pela Comissão Estadual da Verdade à família de Glauber, durante às comemorações dos 50 anos do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Os arquivos foram produzidos pelo antigo Serviço Nacional de Informação. A presidenta da Comissão Estadual da Verdade, Nadine Borges, detalha que os documentos encontrados no Arquivo Público Nacional tem inscrições que podem revelar a intenção dos militares de exterminar o cineasta, como a palavra “morto” escrito a lápis.

 

A presidenta cobra que o general José Antonio Nogueira Belham, que assina um dos documentos, preste depoimento para esclarecer este e outros casos. Amigo de Glauber, o cineasta Silvio Tendler, também presente na cerimônia de entrega dos documentos, ressaltou o quanto a ditadura prejudicou o país.

 

Silvio e muitos outros também foram perseguidos. São citados nos documentos o cineasta Luiz Carlos Barreto e o ator Othon Bastos, um dos principais personagens do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol. Os arquivos mostram ainda que Glauber era acusado de difundir calúnias contra o regime e considerado um dos líderes da esquerda no cinema. O cineasta se exilou em 1971, no auge da carreira, após ter vencido o festival de Cannes com o filme "O Dragão da Maldade" e ter feito declarações denunciando a tortura praticada pela ditadura. Ele morreu em 1980, antes de voltar ao país.

x