Comissão da Verdade do Rio afirma que militares planejavam morte de Glauber Rocha
Os passos do cineasta Glauber Rocha foram seguidos de perto pela ditadura militar, que, inclusive, pode ter tido planos de matar o diretor de cinema. As informações inéditas estão em uma série de documentos entregues neste final de semana pela Comissão Estadual da Verdade à família de Glauber, durante às comemorações dos 50 anos do filme “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Os arquivos foram produzidos pelo antigo Serviço Nacional de Informação. A presidenta da Comissão Estadual da Verdade, Nadine Borges, detalha que os documentos encontrados no Arquivo Público Nacional tem inscrições que podem revelar a intenção dos militares de exterminar o cineasta, como a palavra “morto” escrito a lápis.
A presidenta cobra que o general José Antonio Nogueira Belham, que assina um dos documentos, preste depoimento para esclarecer este e outros casos. Amigo de Glauber, o cineasta Silvio Tendler, também presente na cerimônia de entrega dos documentos, ressaltou o quanto a ditadura prejudicou o país.
Silvio e muitos outros também foram perseguidos. São citados nos documentos o cineasta Luiz Carlos Barreto e o ator Othon Bastos, um dos principais personagens do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol. Os arquivos mostram ainda que Glauber era acusado de difundir calúnias contra o regime e considerado um dos líderes da esquerda no cinema. O cineasta se exilou em 1971, no auge da carreira, após ter vencido o festival de Cannes com o filme "O Dragão da Maldade" e ter feito declarações denunciando a tortura praticada pela ditadura. Ele morreu em 1980, antes de voltar ao país.





