Falta de perspectiva de trabalho é principal motivo de migração venezuelana para o Brasil

Especial

Publicado em 14/02/2017 - 13:14 Por Graziele Bezerra - Brasília

Radioagência Nacional divulga, nesta terça-feira (14), a segunda matéria especial, de uma série de três, sobre a situação de venezuelanos que estão migrando para o Brasil em busca de melhor qualidade de vida.


A matéria de hoje aborda a questão do desemprego e a dificuldade que os venezuelanos encontram na busca por um trabalho. A reportagem foi produzida pela equipe de jornalismo da Rádio Nacional da Amazônia.

 

 

 

Trabalho é uma das principais demandas dos venezuelanos que chegam a cada dia ao Brasil. No caso de Marcos Luis Pacheco, de 30 anos, não é diferente. Ele deixou o município de Maturín, a 416 quilômetros de Caracas, em busca de emprego.


O estrangeiro chegou em Roraima com a ajuda de conterrâneos e, em Boa Vista, disputa uma vaga para trabalhar em serviços gerais.


Dênes Viana da Silva é servidor da Secretaria de Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes) de Roraima. Ele atende diariamente dezenas de estrangeiros em busca de emprego e revela que muitos deles tem curso superior e ocupavam altos cargos na Venezuela.

 

De forma geral, pessoas com formação superior são encaminhadas para atividades em escritórios de contabilidade e de advocacia. Para os demais candidatos, são ofertadas vagas no comércio, em serviços gerais e na construção civil. 


Há quatro meses no Brasil, a publicitária Jéssica de Souza precisou passar por várias entrevistas até conseguir emprego na área comercial de um jornal de Boa Vista. Filha de brasileira, Jéssica afirma que o domínio do português foi um diferencial na hora da seleção. 


Esse é o caso da maior parte dos assistidos no Centro de Referência ao Imigrante: os indígenas. O tenente Fernando Troster, um dos coordenadores do espaço, relata a dificuldade que essas pessoas enfrentam com o idioma.


Antes de vencer qualquer barreira de qualificação profissional ou de idioma, o que o migrante precisa é regularizar a situação documental para poder trabalhar. Segundo o secretário nacional de Justiça e Cidadania, Gustavo Marrone, ao pedir refúgio brasileiro, o estrangeiro já consegue essa autorização.


Se o estrangeiro não resolver a regularização em até 90 dias, pode ser deportado. 


Dados do Sistema Nacional de Empregos (Sine) de Roraima apontam que, no último trimestre do ano passado, 17 candidatos estrangeiros foram encaminhados para entrevistas de emprego e dois foram destes inseridos no mercado formal de trabalho.

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