Mulheres negras discutem pauta de diálogo com Nações Unidas, governo e sociedade
Mulheres negras de todo o Brasil estiveram em Brasília nos últimos dias para discutir os principais desafios para articulação política e reivindicação de direitos. O Comitê de Mulheres Negras para um Planeta 50-50 participou de reuniões com representantes da ONU Mulheres, da Universidade de Brasília e de órgãos do governo federal. A realidade das mulheres negras na Amazônia foi uma das pautas em debate.
Ana Lúcia Pereira, professora doutora da Universidade Federal do Tocantins, chama a atenção para as condições de trabalho de mulheres negras na região amazônica. De acordo com ela, é preciso garantir políticas públicas que combatam o racismo e promovam condições dignas de trabalho feminino.
Sonora: “Nós temos as mulheres que são membros de grupos dos povos e comunidades tradicionais, nós temos as mulheres da floresta, as quebradeiras de coco, as pescadoras artesanais, e essas mulheres às vezes elas são reconhecidas pela atividade profissional que elas desempenham, mas as pessoas não olham na cor da pele delas. E quando a gente pensa na profissão e as condições de trabalho delas, são condições de trabalho desumanas.”
Deise Benedito, perita do Mecanismo Nacional de Prevenção e Combate à Tortura do ministério da Justiça, destaca o aumento no número de mulheres negras presas ou mortas no contexto do narcotráfico. Dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias indicam que houve um aumento de 656% no número de mulheres encarceradas no Brasil em relação ao registrado no início dos anos 2000.
Sonora: “Então grande desafio é tornar-se viva. Como vamos manter as mulheres vivas, empregadas, estudando, com moradia, com saúde de qualidade e segurança cidadã. Temos até o mês de outubro que lançar uma carta apartidária a todos os candidatos e candidatas que se comprometa com as mulheres negras.”
A representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, explica que os dados e propostas apresentados pelas mulheres negras serão usados para intensificar o diálogo da ONU com o governo e a sociedade civil brasileira. O país aderiu à agenda das Nações Unidas de combate à desigualdade de gênero em 2015.
Sonora: “A gente tem escutado muito as mulheres negras das diferentes organizações que compõem o Comitê de Mulheres Negras para um planeta 50-50 olhando para a pauta e em como ela dialoga com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. E como o comitê tem trabalhado essas duas pautas e essa ideia de construção de um planeta 50-50 até 2030.”
Em julho, as organizações de mulheres negras continuam mobilizadas para discutir estratégias de combate ao racismo, à violência e pelo bem viver. O ponto alto dos debates é o dia 25 de julho, Dia Nacional da Mulher Negra, em homenagem à quilombola Teresa de Benguela, que lutou contra a escravidão em Mato Grosso. Ainda em dezembro deste ano, será realizado, em Goiânia, o Encontro Nacional de Mulheres Negras.




