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Direitos Humanos

Data relembra libertação de Auschwitz e alerta para o nazismo

Clara Ant reforça memória do Holocausto para evitar repetições
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Priscilla Mazenotti - Repórter da Rádio Nacional
27/01/2025 - 15:03
Brasília (DF)
Rio de Janeiro (RJ) 26/01/2025 – Ato pelos 80 anos da libertação de Auschwitz e em memória das vítimas do Holocausto, no Palácio da Cidade. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
© Fernando Frazão/Agência Brasil

27 de janeiro de 1945.

Há 80 anos, cerca de 7 mil prisioneiros de Auschwitz eram libertados pelo exército soviético. A queda do campo de extermínio é tida como o símbolo da derrota do nazismo. E, por isso, a data é, desde 2005, reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional da Lembrança do Holocausto.

Brasília (DF), 27/01/2025 - Clara Ant, filha de sobreviventes do Holocausto, durante entrevista para a Agência Brasil. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Brasília (DF), 27/01/2025 - Clara Ant, filha de sobreviventes do Holocausto, durante entrevista para a Agência Brasil. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil - Marcelo Camargo/Agência Brasil

Oito décadas depois, aqui no Brasil, Clara Ant, filha de sobreviventes do Holocausto, é uma das que lutam para que os horrores da época não sejam esquecidos. Nem repetidos. Os pais poloneses se conheceram no Cazaquistão e acabaram fugindo para a Bolívia, onde ela nasceu. Os pais e alguns poucos parentes conseguiram escapar. Mas, pelo menos 40 deles, não.

"O meu pai perdeu, só na cidade dele - seja em bombardeio, seja porque confinaram judeus nas sinagogas e puserem fogo pra queimá-los - 41 pessoas do sobrenome dele. A minha mãe, viu cenas terríveis, cenas de extermínio mesmo, onde enfileiravam dezenas de homens e metralhavam eles e soterravam numa vala comum. Isso é era a rotina dos dias da nazistas da guerra da Segunda Guerra Mundial". 

Tempos, segundo ela, de sombra. Mas de luz também.

"Sombras na família, pessoas que desapareceram e ninguém nunca soube o que aconteceu com elas, a tristeza de ver alguém ser levado na sua frente... As luzes porque também, no meio disso, por incrível que pareça, tinha gente solidária, gente que ajudou, gente que escondeu algumas pessoas, conseguiu salvar pessoas. E a gente sabe das histórias de quem sobreviveu". 

Clara Ant, que nasceu na Bolívia e veio para o Brasil aos 10 anos. Na vida adulta, se tornou militante contra o regime militar e ativista política, assessorando, inclusive, o presidente Lula nos dois primeiros mandatos, na elaboração de políticas públicas, como o Fome Zero.

Ela fala com preocupação do cenário atual em que a apologia ao nazismo e a símbolos nazistas tem aumentado. Citando o gesto de Elon Musk, na posse de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos na semana passada, ela lembrou que nazismo e antissemitismo é crime aqui no Brasil.

"E, portanto, eles têm que ser punidos. Isso nos leva, automaticamente, a valorizar informação. Qual informação? Que o nazismo foi uma das mais maiores tragédias que a humanidade sofreu. Por que? Não é que tinha um país de judeus e um país de alemães que estavam brigando entre eles e teve, como toda guerra, morrendo gente de cá e de lá. Não. O nazismo decidiu exterminar os judeus. Extermínio. Campos de extermínios foram criados". 

É uma luta diária "sem passar pano para ninguém", segundo ela. Nem para nenhuma ação. Para que isso nunca mais volte a acontecer, é estar sempre alerta pela democracia. 

 

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