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Direitos Humanos

Viva Maria: Diploma Bertha Lutz homenageia 19 mulheres no Senado

Premiação reconhece destaques na política, ciência, cultura e ativismo
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Viva Maria
26/03/2025 - 07:35
Brasília
Brasília (DF) 08/03/2023 A presidente do STF, Rosa Weber, recebe o Diploma Bertha Lutz do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. O senado entregou o Diploma para sete mulheres que deram uma contribuição relevante à questão de gênero
© Antonio Cruz/ Agência Brasil

Viva Maria de hoje fala sobre uma homenagem muito especial às 19 mulheres que, amanhã, 27 de março, às 10 horas, serão agraciadas, em sessão no Senado Federal, com o diploma Bertha Lutz. Essa premiação, como nos anos anteriores, reconhece mulheres que se destacam na política, na ciência, no judiciário, na cultura, no ativismo social e no empreendedorismo.

Entre as homenageadas estão as atrizes Fernanda Torres, que recentemente ganhou o Globo de Ouro e foi indicada ao Oscar por "Ainda Estou Aqui", e sua mãe, Fernanda Montenegro, também indicada ao Oscar por sua atuação em "Central do Brasil". No entanto, vale destacar que todas essas mulheres representam a força e o legado de Bertha Lutz, símbolo da luta feminista no século XX.

Bertha Lutz dedicou sua vida à redução das desigualdades. Como bióloga, contribuiu imensamente para a popularização da ciência, que pode e deve ser usada como ferramenta de melhoria de vida e empoderamento da população.

Filha de um cientista e de uma enfermeira, Bertha Lutz se formou em Ciências pela Universidade de Sorbonne, em Paris, em 1919. Foi a segunda mulher a ingressar no serviço público no Brasil, ao ser aprovada em um concurso do Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Especialista em anfíbios, lecionou por mais de 40 anos na instituição e teve papel fundamental nos movimentos feministas brasileiros do início do século XX, como a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino.

Foi também uma das principais lideranças da campanha pelo direito ao voto feminino no Brasil, conquista alcançada em 1932. Pouco depois, assumiu um mandato como deputada federal. Como costuma dizer a professora e pesquisadora Hildete Pereira de Melo, do Departamento de Economia da Universidade Federal Fluminense: "As meninas precisam ter exemplos".

A professora Lilian Rodrigues, do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, compartilha desse ideal e, movida pelo desejo de que as meninas não vejam a ciência como um universo essencialmente masculino, desenvolveu o estudo "Pioneiras da Ciência no Brasil".

Sob a inspiração de Bertha Lutz, jovens cientistas continuam rompendo barreiras e enfrentando preconceitos que ainda afastam as mulheres das áreas de pesquisa tecnológica. Muitas das indicadas ao prêmio deste ano trilharam caminhos que abriram espaço para a participação feminina nos centros de decisão e poder.

Entre essas mulheres está Antonieta de Barros, a primeira mulher negra eleita deputada no Brasil, pelo estado de Santa Catarina, que será homenageada postumamente.

Antonieta foi responsável pela criação do Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro. Sobre essa grande mulher, Gina Vieira Ponte, professora aposentada e criadora do projeto "Mulheres Inspiradoras", conversou conosco no Viva Maria e nos proporcionou uma verdadeira aula.

A professora Gina destacou que Antonieta de Barros, uma das primeiras mulheres eleitas no Brasil e a única mulher negra a conquistar um mandato estadual em 1934, defendia a educação como ferramenta de transformação social. Filha de uma escravizada liberta, Antonieta via a educação como um meio poderoso de libertar os menos favorecidos da opressão e da servidão.

Jornalista e escritora, ela publicou mais de 1.000 artigos e era conhecida por sua energia, humanidade e forte senso de justiça. Sua atuação foi fundamental para a oficialização do Dia do Professor. A data de 15 de outubro já tinha significado histórico por marcar a sanção da primeira grande lei educacional do Brasil por Dom Pedro I. No entanto, foi a Lei nº 145, de 12 de outubro de 1948, criada por Antonieta, que instituiu oficialmente a data em Santa Catarina. Posteriormente, a comemoração foi estendida a todo o território nacional.

Diante dos desafios atuais, a professora Gina reforça que os professores são insubstituíveis. "Educar é, antes de tudo, um processo de humanização", afirma. Segundo ela, a pandemia nos mostrou que nenhum recurso tecnológico pode substituir a presença e a dedicação dos professores no processo de aprendizagem das crianças.

 

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