Capitais registram protestos para marcar 61 anos do golpe militar

Diversas capitais brasileiras, como São Paulo, Salvador e Belo Horizonte, registraram protestos, nesta terça-feira (1º), para marcar os 61 anos do golpe militar que colocou o país em 21 anos de ditadura, entre 1964 e 1985. Os atos foram organizados por movimentos sociais e sociedade civil.
Na capital paulista, o Cordão da Mentira, com desfile e escracho, relembrou crimes do passado e do presente: torturas, assassinatos e desaparecimentos forçados. Entre ex-presos políticos, familiares de mortos e desaparecidos e sobreviventes do cárcere, estiveram também as mães de vítimas de violência do Estado de todo o Brasil.
Aos 66 anos, Débora Silva, fundadora do Movimento Mães de Maio, participou do ato na cidade de São Paulo. Há 19 anos, ela faz do luto sua luta para exigir responsabilizações e reparações, nas justiças brasileira e internacional, pelo assassinato do filho Edson, um dos mortos nos chamados Crimes de Maio, ocorridos em maio de 2006 no estado.
Em Belo Horizonte, movimentos sociais ocuparam, nesta terça-feira, o prédio que abrigou o Dops, Departamento de Ordem Política e Social, na Avenida Afonso Pena. O ato, segundo os organizadores, foi para homenagear mineiros mortos e desaparecidos durante a ditadura militar e reivindicar a construção do “Memorial dos Direitos Humanos – Casa da Liberdade” no local.
Na capital baiana, a 6ª Marcha do Silêncio tomou as ruas de Salvador com um cortejo em direção ao Campo da Pólvora. O grupo Tortura Nunca Mais e diversas entidades da sociedade civil reforçaram a importância da luta pela memória, pela verdade e pela justiça.
Ex-presa política, Eliana Bellini, de 81 anos, fez o percurso da Marcha do Silêncio, em Salvador, ao lado da filha. No começo dos anos 70, durante a ditadura militar, a socióloga foi presa, torturada e separada da filha, de apenas oito meses. Depois, Eliana foi exilada na França, onde permaneceu até 1979.
Para Eliana, é fundamental assegurar que as graves violações de direitos humanos do passado nunca se repitam:
“Ao mesmo tempo, é um momento de resgatar conquistas, porque derrotamos a ditadura, embora a luta pela democracia continue em pauta. E é uma luta longa e muito exigente, para que nós possamos realmente fazer com que as organizações sociais sejam respeitadas”.
No Rio de Janeiro, o grupo Tortura Nunca Mais fez um protesto em frente ao antigo Dops, na Lapa.
Em todos os atos deste dia, o lema citado sempre é: “Lembrar para não esquecer, para nunca mais acontecer”.





