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Economia

Itaipu destina R$ 240 milhões para compra de terras a indígenas

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Gabriel Brum - repórter da Rádio Nacional
28/02/2025 - 09:20
Brasília

Depois de décadas, as negociações por terras para os indigenas Avá-Guarani, no oeste do Paraná, tiveram um avanço.

A Itaipu Binacional assinou, nessa quinta-feira (27), um acordo para compra de três mil hectares de terras, em caráter emergencial, que serão destinados às comunidades indígenas. O valor fixado para o negócio é de até R$ 240 milhões. As áreas vão ser escolhidas pela Funai e pelos próprios indígenas, que também aceitaram assinar a proposta.

De acordo com a empresa, as novas áreas serão destinadas a 31 comunidades, que reúnem cerca de seis mil pessoas, situadas nas terras indígenas Guasu Guavirá e Guasu Okoy Jakutinga, em cinco municípios paranaenses: São Miguel do Iguaçu, Itaipulândia, Santa Helena, Terra Roxa e Guaíra.

Em carta assinada por várias lideranças, os indígenas celebraram o acordo, mas dizem que é apenas “parcial” e que a área não é suficiente para abrigar os milhares de guaranis que vivem na região. Por isso, vão continuar com uma ação no Supremo Tribunal Federal para recuperação de todo território.

O representante dos Avá-Guarani, Ilson Okaju, disse que a decisão dá um fôlego para eles, mas que a luta continua por mais terras.

O Sistema Faep, que representa o agronegócio do Paraná, informou que vai tentar barrar o acordo. Segundo a instituição, a proposta é uma desapropriação arbitrária. Disse que o mercado de terras se tornou um investimento rentável no Paraná, e que não há informações de produtores rurais queiram vender as terras na região Oeste.

Há mais de um ano, os Avá-Guarani fazem ações de retomadas no território Guasu Guavirá. A área já tem o reconhecimento da Funai, mas o processo de demarcação está parado na justiça.

Eles reivindicam terras desde que foram expulsos para a construção da usina de Itaipu, na década de 1970. Já os atuais proprietários negam que os indígenas tenham esse direito.

A situação gerou conflitos e violência contra as comunidades, atacadas com tiros, pauladas, atropelamentos e ameaças. Tanto que a Força Nacional de Segurança Pública teve a atuação na região prorrogada, novamente, agora até maio.

 

 

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