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Documentos relatando atividade de João de Deus com tráfico de bebês chegam ao MP-SP

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Dayana Vítor
08/01/2019 - 16:36
Brasília

O Ministério Público de São Paulo recebeu da ativista Sabrina Bittencourt, da força-tarefa Somos Muitas, documentos sobre supostos novos crimes do médium João de Deus. O órgão analisa a papelada para decidir se instaura inquérito e denúncia sobre os fatos.

 

Ainda encaminhou os dados da ativista para o Ministério Público de Goiás e Ministério Público Federal. O material entregue por Sabrina contém supostos depoimentos e provas de participação do médium em uma suposta quadrilha que traficou bebês e escravizou mulheres por 20 anos

 

Em um vídeo nas redes sociais, a ativista resumiu como o esquema funcionava. Ouça o relato:

 

Sonora: “Em geral, mulheres negras de baixa renda tanto de Abadiânia quanto de Anápolis e mulheres do norte de Minas, que viviam próximas aos garimpos ilegais do João de Deus. Tanto mulheres com filhos que tinham essa negociação feita por Chico Lobo e Fátima Lobo que, em troca de comida, elas engravidavam para vender esses bebês no mercado negro.”


Sabrina revela que elas viviam em cárcere privado, eram obrigadas a engravidar para os bebês serem vendidos por valores entre US$ 20 mil e US$ 50 mil. Sabrina revela outros detalhes.

 

Sonora: “Centenas de meninas que foram escravizadas, meninas de 14 a 18 anos, que foram escravizadas durante 20 anos, e que viviam em cárcere privado em fazendas, essas meninas morreram, foram assassinadas depois de 10 anos parindo.”

 

No vídeo, a ativista ainda declarou que vive fora do país por receber ameaças. Também pediu ajuda de mais vítimas do médium para coletar mais provas. Ela afirmou que pretende entregar tudo o que conseguir à Polícia Federal e à polícia de onde vive.


O advogado que defende João de Deus, Alberto Toron, não quis gravar entrevista, mas, por telefone, afirmou que a denúncia de Sabrina é totalmente desamparada de provas. Disse também que conversou com familiares e pessoas próximas ao médium, que negaram veementemente as novas acusações.

 

João de Deus está preso desde 16 de dezembro no Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, em Goiás, por centenas de acusações de estupro e abuso sexual.

 

A defesa tenta a prisão domiciliar. Mas a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, já se declarou contrária. O Tribunal de Justiça de Goiás determinou o bloqueio de R$ 50 milhões em bens do médium para eventuais reparações às vítimas.

 

* A reportagem procurou Chico Lobo, que trabalha em uma das obras do médium João de Deus, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem.

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