A implantação, anunciada pela prefeitura de São Paulo, de um parque no lugar de uma importante via de ligação entre as zonas Oeste e Leste da cidade, o Elevado Presidente João Goulart, mais conhecido como Minhocão, vem gerando polêmica.
Com custo estimado em R$ 38 milhões e previsão de início da primeira fase do projeto ainda neste mês, o processo de transformação da via em parque foi objeto de ação do Ministério Público de São Paulo.
O MP abriu um inquérito civil para avaliar os impactos urbanísticos e no trânsito da região com a desativação da via.
Além disso, o secretário de Urbanização, Fernando Chucre, foi convocado para prestar esclarecimentos nesta quarta-feira, dia 27, na sede do Ministério Público.
Na via, circulam em média 78 mil veículos por dia, segundo a CET – Companhia de Engenharia de Tráfego. Ela é fechada para carros entre as 20h e as 7h e nos finais de semana.
O artista plástico Felipe Morozini, um dos diretores do movimento em favor da criação do Parque do Minhocão, e morador de um apartamento que fica em frente a via há 20 anos, diz que nunca abre as janelas do seu apartamento em função do barulho dos carros e da poluição. Por isso, a mudança de destinação é muito bem-vinda.
Mas, para Francisco Machado, que vive há duas décadas no bairro Santa Cecília, e um dos diretores do Movimento Desmonta Minhocão, reclama que as associações que representam os cerca de 230 mil moradores da região não foram ouvidas pela prefeitura e que a melhor solução seria demolir a via, a exemplo do que foi feito com a avenida perimetral, no Rio de Janeiro.
A prefeitura de São Paulo diz que a CET está fazendo um estudo para definição de intervenções viárias que se mostrarem necessárias e que o destino do Elevado João Goulart vinha sendo objeto de discussão desde os anos 70, quando foram iniciadas as rotinas de sua interdição ao tráfego veicular no período noturno.
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano enviou nota informando que está à disposição do Ministério Público para prestar todos os esclarecimentos necessários.
Diz também que toda proposta de requalificação urbanística do primeiro trecho do Minhocão será amplamente discutida para garantia da participação social e transparência na discussão do projeto e conceito urbanístico.




