Ouvintes inspiram radionovelas da Rádio Nacional, diz pesquisador

Primeira edição foi veiculada em 1941 e durou dois anos

Publicado em 08/04/2021 - 09:24 Por Beatriz Evaristo - Brasília

Programas de variedades. Radioteatro. Radionovelas.

Antes das imagens estarem na palma da mão, música, efeitos sonoros e apenas as vozes dos personagens envolviam os ouvintes em histórias contadas pelas ondas do rádio. A primeira radionovela da Rádio Nacional foi veiculada em 1941 e durou dois anos. As produções atravessaram décadas e resistiram à chegada da televisão. Nos anos 80, personagens inspiradoras foram reveladas nos folhetins escritos pela jornalista Artemisa Azevedo.

“Sempre coloquei como personagens mulheres simples mas que eram fortes, guerreiras, e que sempre corriam atrás dos seus objetivos. E muitas mulheres da Amazônia me escreviam dizendo que se pareciam com aquelas personagens e que, por isso, também seriam capazes de vencer. Não só carta como essas mas muitas outras falavam que agora conheciam seus direitos, cuidavam da sua saúde, de sua família, que tinham se formado nas profissões dos seus sonhos só porque se inspiravam no nosso trabalho.”

De acordo com o jornalista e pesquisador Cláudio Paixão, que fez mestrado sobre as radionovelas da Nacional da Amazônia, existia um caminho de mão dupla já que muitas produções foram baseadas nas experiências dos ouvintes.

“Os ouvintes impactaram na construção dessas narrativas, desde os primeiros quadros de radioteatro, passando pelas radionovelas infantis da Tia Leninha, passando por Décio Caldeira e chegando nas radionovelas da Artemisa Azevedo, a gente tem esse percurso de radionovelas e peças de radioteatro abordando temas do cotidiano dos ouvintes.”, diz. 

A conexão com o público também ficava expressa em milhares de cartas recebidas diariamente. E essa troca de experiências com os ouvintes que existia no passado continua no presente. A apresentadora do Tarde Nacional, Juliana Maya, tem mantido um contato muito próximo pelas ondas do rádio com pessoas que moram nos lugares mais remotos da região amazônica.

“Quantas vezes a gente não colocou recados em línguas indígenas para que eles se comunicassem. A rádio é dos ouvintes e isso faz dela também muito especial. E eles sabem disso. Então, essa troca é realmente importante e única. Desconheço uma outra rádio no Brasil que consiga cumprir esse papel e faça tão bem essa ponte entre os ouvintes; porque eles passam recados e se mandam recados; e entre a informação e eles. É uma troca que acaba sendo muito carinhosa entre eles e a gente.”, diz. 

Em plena era digital, as cartas continuam chegando. Algumas delas vem até mesmo de outros países. A participação dos ouvintes também é registrada por telefone, e-mails, mensagens de whatsapp e nas redes sociais.

Edição: Sheily Noleto/Adrielen Alves

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