Quadro mais famoso da independência do Brasil não retratou a realidade

Artista plástico Pedro Américo buscou tornar a cena mais "inspiradora"

Publicado em 07/09/2021 - 08:45 Por Beatriz Evaristo - Repórter da Rádio Nacional - Brasília

Da tela para o imaginário popular. A pintura “Independência ou Morte” do artista brasileiro Pedro Américo eternizou o que teria sido o marco do fim da colonização portuguesa no Brasil.

Ao lado de muitos apoiadores e acompanhado da guarda imperial, Dom Pedro I, montando um belo cavalo, ergue a espada e declara a independência do Brasil às margens do Rio Ipiranga em 7 de setembro de 1822. Mas, de acordo com historiadores, não foi bem assim que tudo aconteceu.

Primeiro, é preciso dizer que o pintor Pedro Américo não era nem nascido naquele momento histórico. A obra foi feita sob encomenda mais de sessenta anos depois do episódio, em 1888, para o Museu do Ipiranga, em São Paulo.

O artista, que vivia em Florença, na Itália, fez uma pesquisa para resgatar informações da época. O estudo deu origem a um quadro menor que está exposto no Palácio do Itamaraty, em Brasília. O quadro final mede cerca de quatro metros de altura por sete de largura e virou uma referência visual do rompimento entre Brasil e Portugal.

Fora da tela, a cena seria mais ou menos assim: o príncipe regente abatido em cima de uma mula, vestindo roupas simples, acompanhado de poucas pessoas. Relatos de testemunhas descrevem que Dom Pedro I, naquela tarde de 7 setembro, estaria com problemas gastrointestinais, sofrendo com disenteria. Não havia cavalos de raça porque a região exigia a força de animais mais fortes. A comitiva geralmente tinha catorze pessoas. Os guardas não estariam usando uma farda tão pomposa. Os Dragões da Independência só adotaram o uniforme representado na pintura mais de cem anos depois, em 1926.

O próprio pintor deixou um texto explicativo sobre a produção em que revela a intenção de mostrar a independência como algo esplêndido e heroico, deixando de lado o que não seria tão bonito de se ver. Nas palavras de Pedro Américo: “A realidade inspira, e não escraviza o pintor.” O artista destaca que se esforçou para ser sincero na reprodução do fato sem esquecer as beleza da arte.

*Com sonoplastia de Messias Melo.

Edição: Sheily Noleto / Guilherme Strozi

Últimas notícias
Geral

Células de defesa criadas por outros vírus podem proteger contra covid

pesquisa realizada pelo Imperial College pode ajudar no desenvolvimento de novas vacinas que atuem diretamente na proteína interna do vírus.

Baixar arquivo
Esportes

IBSA divulga calendário completo para o judô paralímpico em 2022

Entre os eventos previstos, há três etapas do Grand Prix, incluindo uma inédita no Brasil, no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo. 

Baixar arquivo
Esportes

Confira os resultados dos jogos de futebol desta terça

Copa das Nações Africanas, Malawi empatou com o Senegal em 0 a 0, Zimbábue venceu Guiné por 2 a 1, Gabão e Marrocos empataram em 2 a 2, Gana perdeu para Comores por 3 a 2.  

Baixar arquivo
Educação

Inmetro alerta para padrões de qualidade de materiais escolares

O Inmetro, Instituto Nacional de Metrologia, definiu padrões de qualidade e segurança para 25 artigos usados nas aulas.

Baixar arquivo
Economia

Carros para taxistas e pessoas com deficiência terão novas isenções

O sistema que prevê isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados, o IPI, na compra de veículos novos de até 2 mil cilindradas por taxistas e pessoas com deficiência passou por mudanças e começa 2022 com regras revisadas. 

Baixar arquivo
Economia

Turismo arrecadou em novembro de 2021 quase 20% a mais que em 2020

Pesquisa do Conselho de Turismo da Fecomercio-SP, com base nos dados do IBGE, aponta que o turismo nacional faturou cerca de R$ 14 bilhões em novembro, aumento de 19,3% em relação ao mesmo período de 2020.

Baixar arquivo