Autistas adultos enfrentam obstáculos sem diagnóstico precoce

Apesar de já mostrar sinais na infância, casos de autismo podem passar despercebidos para muitas famílias. Mas na vida adulta, podem deixar muito mais nítidas as dificuldades de interação social e, principalmente, de condução da carreira profissional.
É o caso da estudante Carol Nobre, de Florianópolis, Santa Catarina. Hoje com 34 anos, ela conta que lidava com a constante sensação de insucesso. E o diagnóstico só veio aos 28 anos, após sinais de depressão e, até mesmo, de uma tentativa de suicídio.
As dificuldades comuns da vida adulta se tornam um fardo ainda mais pesado para quem tem TEA, o Transtorno do Espectro Autista. A musicista e arte-educadora Mariana Camelo, de 33 anos, sempre se sentiu diferente; mas só foi atrás de uma resposta depois que reprovou oito vezes no exame para tirar a carteira de motorista. Hoje, a moradora do Núcleo Bandeirante, no DF, faz acompanhamento psicológico e psiquiátrico; e busca por mais qualidade de vida.
Como forma de lidar com o autismo, Mariana transformou em profissão o imenso interesse dela pelos pianos. Esse é justamente um dos sinais do transtorno, o chamado “hiperfoco”.
A Organização Mundial da Saúde estima que o Brasil pode ter mais de 2 milhões de pessoas com autismo. E de acordo com o Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, NOVENTA POR CENTO das pessoas do espectro autista, no Brasil, não foram diagnosticadas.
O médico neurologista Luiz Vilanova, membro da Academia Brasileira de Neurologia, destaca a importância de um diagnóstico para a busca pelo tratamento adequado.
O diagnóstico de TEA deve ser feito por uma equipe multidisciplinar composta por psicólogos, psiquiatras ou neurologistas, e por fonoaudiólogos.
A psicóloga da área de Autismo do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo, Jéssica Aquino, ressalta que o diagnóstico de autismo é importante não só para o autoconhecimento, mas também para a garantia de direitos.
A Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista está prevista em uma lei de 2012. E o Estatuto da Pessoa com Deficiência reconhece, desde 2015, o autismo como uma deficiência.
A psicóloga Jéssica Aquino ainda destaca o direito ao diagnóstico, ao acompanhamento da saúde mental. Para isso, ela defende o direito à inclusão e o fortalecimento do SUS.
Qualquer pessoa com sinais de Transtorno do Espectro Autista pode buscar o SUS, na Unidade Básica de Saúde próxima de onde mora, para uma avaliação da equipe de Atenção Primária. Se for necessário, ela vai ser encaminhada para a Atenção Especializada em Reabilitação. O tratamento gratuito também é um direito.





