Estudo aponta ligação de milícias com Executivo e Legislativo do RJ

Publicado em terça-feira, 27 Outubro, 2020 - 19:45 Por Fabiana Sampaio - Rio de Janeiro

Um estudo elaborado por diversos pesquisadores alerta que milícias podem estar infiltradas também em estruturas de prefeituras e casas legislativas fluminenses.

A nota técnica "Controle Territorial Armado no Rio de Janeiro", da Rede Fluminense de Pesquisas Sobre Violência, Segurança Pública e Direitos Humanos, é fruto de um ano de debates entre pesquisadores, policiais, promotores, jornalistas, ativistas e especialistas em dados.

O trabalho afirma que essa expansão dos milicianos a instâncias dos poderes Legislativo e Executivo pode inclusive ter relação com mortes violentas de candidatos  a  vereador no último processo eleitoral, em diversos municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

O pesquisador do Instituto de Ciências Sociais da  Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ),  João Trajano, afirmou durante seminário de apresentação do estudo que o cenário é grave, e traz uma perspectiva sombria para o futuro da democracia e do estado de direito. 

O trabalho ainda aponta um aprofundamento da relação histórica desses grupos e as polícias, com indicações para cargos de comando,  chefia de batalhões, além de interferência em operações, como afirma João Trajano. 

O delegado aposentado da Especializada de Repressão ao Crime Organizado, Cláudio Ferraz, alerta que é preciso analisar essa expansão das milícias de forma ampla e multidisciplinar. 

Em nota, a Secretaria de Estado de Polícia Civil informou que não comenta estudos e pesquisas que desconhece ou que não sejam oficiais do governo, e que após cerca de 10 anos sem uma política de estado efetiva de combate às milícias, a atual gestão criou uma força-tarefa para coibir este tipo de crime.

A Secretaria de Estado de Polícia Militar chamou de irresponsável a afirmação de que facções de milícias estariam influenciando a escolha de comandantes de unidades operacionais da corporação, e que, ao contrário do que chamou de especulação dos especialistas e colaboradores do estudo, toda a cadeia de comando da PM tem sido montada a partir de critérios técnicos, tanto na área administrativa quanto operacional.

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