Refugiadas e imigrantes buscam oportunidades no mercado de trabalho

Publicado em 08/11/2019 - 17:29 Por Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil - São Paulo

Um grupo de 50 mulheres imigrantes e refugiadas se prepara para tentar uma vaga no mercado de trabalho brasileiro. Hoje (8), elas participaram da última oficina do projeto Empoderando Refugiadas, uma iniciativa da Rede Brasil, do Pacto Global e do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e da ONU Mulheres. A partir de agora, as beneficiadas pelo projeto serão encaminhadas para encontros com empresas que possuem vagas abertas para contratação.

“A gente fez uma jornada passando por questões de empregabilidade, direitos, empreendedorismo, mídias sociais. A gente vai finalizar agora com educação financeira”, explica a assessora de direitos humanos do Pacto Global, Gabriela Almeida. O último encontro, com foco na organização das finanças pessoais, foi realizado em um banco na zona sul da capital paulista.

Aproximação com empresas

Para Gabriela, o processo de trocas entre as empresas e as refugiadas traz ganhos para os dois lados. “Vir para a região do Itaim, em um prédio corporativo, no espaço das empresas, está sendo uma grande oportunidade, tanto para as mulheres que participam do projeto quanto para as mulheres na recepção. A sensibilização começa na portaria do prédio, a partir do momento que chegam 50 mulheres, falando diferente idiomas, diferentes cores”, exemplificou a partir do encontro realizado hoje.

Apesar de algumas das beneficiadas investirem em negócios próprios, Gabriela diz que a maior parte quer entrar no mercado de trabalho brasileiro. “Muitas delas querem é inclusão no mercado formal de trabalho. Então, o objetivo final do projeto é que aquelas que têm essa vontade nesse momento consigam essa via”, enfatizou.

Chegada da Venezuela há um ano e quatro meses, Anayelis, de 29 anos, é uma das que busca um trabalho com carteira assinada em São Paulo. As venezuelanas são quase a metade das atendidas nessa quinta turma do projeto. “Eu gostaria de estar empregada em qualquer oportunidade que puderem nos oferecer”, enfatiza Anayelis que, no país de origem, trabalhava com vendas. Aqui, ela vive no Butantã, zona oeste paulistana, com o marido e as duas filhas, uma delas nascida no Brasil.

São Paulo - A refugiada venezuelana, Anyelis Montang, participa do workshop sobre educação financeira, realizado pelo projeto Empoderando Refugiadas, na sede da ABN AMRO.
São Paulo - A refugiada venezuelana Anyelis Montang participa do workshop sobre educação financeira, do Empoderando Refugiadas, na sede da ABN AMRO - Rovena Rosa/Agência Brasil

Empreendedoras

A crise econômica e política também fizeram com que Julieth deixasse a Venezuela. Aqui, ela já conseguiu trabalho em um instituto que acolhe crianças vítimas de violência. “Eles me deram uma oportunidade para trabalhar, sabendo que eu sou mulher trans [transexual]”, disse.

São Paulo - A refugiada venezuelana, Julieth Palomo, participa do workshop sobre educação financeira, realizado pelo projeto Empoderando Refugiadas, na sede da ABN AMRO.
São Paulo - A refugiada venezuelana Julieth Palomo quer ter seu próprio negócio - Rovena Rosa/Agência Brasil

Apesar da ocupação fixa, Julieth, de 25 anos, pretende se tornar empreendedora. “ Estou organizando as minhas ideias do que eu quero fazer, ter o meu próprio negócio. Gostaria de fazer festas, eventos e decoração. Aqui estão me explicando como eu posso fazer essas coisas”, disse sobre o suporte que esta´recebendo do projeto.

A colombiana Lizethe também vê no empreendedorismo uma forma de se sustentar no Brasil. Junto com o marido, ela está começando um negócio de venda de empanadas sob encomenda. “Não são empanadas típicas do nosso país, é uma imersão na cultura brasileira. A massa é italiana, o recheio é algo muito brasileiro, como a carne com azeitonas, doce de leite com queijo, romeu e julieta [goiabada com queijo]”, conta.

No país de origem, a jovem de 26 anos trabalhava como jornalista. Porém, teve que deixar a Colômbia devido aos conflitos envolvendo grupos paramilitares. Ela conta que, de início, tentou mudar de região dentro do próprio país. O que acabou não dando certo.“Nós fomos para outra parte da Colômbia para tentar ficar um pouco seguros e foi pior”, conta.

Edição: Lílian Beraldo

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