Unesco: um terço dos países que assinaram marco sobre educação cumpriu metas

Publicado em 08/04/2015 - 21:05 Por Mariana Tokarnia – Repórter da Agência Brasil - Brasília

Coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, Maria Rebeca Otero (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Maria Rebeca Otero, coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, fala sobre o Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos 2015 Educação para Todos 2000-2015: Progressos e DesafiosFábio Pozzebom/Agência Brasil

Quinze anos após firmar o compromisso para melhorar mundialmente a educação, apenas um terço dos 164 países que assinaram o documento conseguiu cumprir a agenda com seis metas estabelecidas, em 2000, no Marco de Ação de Dakar, Educação para Todos: Cumprindo nossos Compromissos Coletivos. Segundo o último relatório de monitoramento divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), metade dos países conseguiu cumprir a meta do acesso universal à educação primária, considerada a mais visada. No Brasil, o período equivale aos primeiros anos do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano.

O documento aponta que o mundo avançou na oferta de educação, mas ainda tem muitos desafios. O número de crianças e adolescentes fora da escola diminuiu quase pela metade desde 2000 – no total, 34 milhões foram incluídos nos sistemas de ensino. A estimativa agora é que, entre as crianças nascidas em 2005, 20 milhões a mais tenham completado a educação primária em comparação com a projeção baseada nas tendências pré-Dakar.

O relatório mostra que existem, ainda, 58 milhões de crianças fora da escola. Cerca de 100 milhões, que têm acesso, deixarão os estudos sem completar a educação primária. A taxa de permanência das crianças na escola aumentou em 23 países, mas diminuiu em 37. Globalmente, a projeção é que a taxa de permanência na educação primária não seja maior que 76% em 2015. Mantido o ritmo de crescimento da taxa de 1990, a permanência na escola teria chegado a 80%.

Para a coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, Rebeca Otero, a situação mundial é preocupante. “Educação não é algo imediato, precisa de estrutura, de formação, que leva anos. Deve ser política de longo prazo, de estado, tem que transcender os governos, só assim é possível progredir”, disse. “A redução da qualidade faz com que as crianças deixem a escola sem aprender o básico. A criança está na escola, passa de ano, mas não aprende”, acrescentou.

O relatório aponta a desigualdade social como um empecilho no acesso à educação de qualidade. Segundo o texto, a desigualdade na educação aumentou. Em relação às crianças mais ricas, as mais pobres têm chances quatro vezes menos chances de frequentar a escola e cinco vezes menos chances de completar a educação primária. Os conflitos também são barreira ao acesso à educação, entre a população que vive nessas regiões, a proporção de crianças fora da escola é "alta e está aumentando”.

A coordenadora destaca o financiamento, a gestão e a formação de professores como condições-chave para melhorar a qualidade da educação. “Educação é base, é direito de todo cidadão. É a base para alcançarmos todos os outros direitos. A cidadania, o direito a saúde. Se não tem educação, não se alcança outros direitos”, ressaltou.

A Unesco acompanha o progresso das metas que deveriam ser cumpridas até 2015. O resultados estão no Relatório de Monitoramento Global de Educação para Todos 2015 Educação para Todos 2000-2015: Progressos e Desafios, a última edição do monitoramento, produzido por uma equipe independente da Unesco. Uma nova agenda deverá ser definida pelos estados-membros até setembro deste ano.

Info Relatório Unesco 3

Edição: Aécio Amado

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