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Usuários consomem crack em via interditada para obra da Transcarioca

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 27/01/2014 - 16:35
Rio de Janeiro

Jovens sentadas no asfalto e na calçada trocam cigarros e pedras de crack, acumulam pequenos móveis usados e passam o dia em meio ao lixo. A cena acontece há anos em pontos alternados da Avenida Brasil, perto do Complexo da Maré, mas, desta vez, se repete bem perto de uma intervenção da prefeitura no local: a construção do arco estaiado da Avenida Brasil, na altura de Ramos, por onde passarão os ônibus articulados do BRT (Bus Rapid Transit) Transcarioca, um dos principais investimentos municipais em mobilidade urbana.

Rio de Janeiro – Usuários de crack concentram-se nas imediações das obras da Trasncarioca, na Avenida Brasil, próximo ao Complexo da Maré, zona norte da cidade (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Usuários de crack concentram-se nas imediações das obras da Trasncarioca, na Avenida Brasil. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Para a construção do viaduto, que terá vão livre de 150 metros sobre a mais movimentada avenida da cidade, a prefeitura teve que interditar a pista lateral no sentido zona oeste, entre os viadutos da Avenida Brigadeiro Trompowski. A obra começou neste ano, e, ao lado dos primeiros pilares do futuro arco, cerca de trinta pessoas circulavam e consumiam a droga na manhã de hoje (27).

A Agência Brasil tentou se aproximar da cracolândia duas vezes nesta manhã, mas dois usuários hostilizaram a equipe de reportagem, ao ver a câmera fotográfica, atirando objetos e pedras contra o carro da Empresa Brasil de Comunicação. Um grupo de usuários montou uma proteção de papelão para não ser identificado pelos transeuntes, mas a maioria consumia a droga em frente à avenida.

A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social afirma que começou no ano passado o projeto Proximidade, que tenta estabelecer vínculos de forma gradual com os dependentes químicos. No ano passado, segundo a secretaria, 929 pessoas foram abordadas pelo projeto e 584 decidiram acompanhar os assistentes sociais voluntariamente. Os menores são enviados ao projeto Casa Viva, que atualmente conta com quatro unidades inauguradas e deve chegar a 100 vagas neste ano.