Ato no Recife pede justiça no caso da morte de Miguel Otávio

Menino tinha 5 anos e caiu do nono andar de um prédio de luxo

Publicado em 05/06/2020 - 18:32 Por Jonas Valente – Repórter Agência Brasil - Brasília

Um ato no Recife na tarde de hoje (5) mobilizou manifestantes que pediram justiça no caso do menino Miguel Otávio Santana da Silva, que morreu na terça-feira (2) ao cair da altura de 35 metros de um prédio depois que a mãe o deixou com a patroa para realizar uma atividade doméstica.

A patroa, Sari Mariana Côrte Real, foi presa e indiciada por homicídio culposo. Ela pagou R$ 20 mil de fiança e vai responder ao processo em liberdade. Ela é a esposa do prefeito de Tamandaré, Sérgio Hacker Côrte Real.

O protesto foi marcado por diversas organizações da cidade. Os manifestantes se concentraram no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJ-PE). Em seguida, partiram para o prédio onde ocorreu o episódio, Píer Maurício de Nassau, conhecido como “torres gêmeas”. O edifício fica no bairro de São José, centro de Recife

O ato foi transmitido e registrado por diversas contas nas redes sociais. Nas faixas, os participantes faziam questionamentos e cobranças. Uma das mensagens indagava “vale R$ 20 mil a vida de uma criança?”. Outra perguntava: “e se fosse filho da patroa?”. Alguns cartazes traziam frases da mãe da criança: “se ela [a patroa] tivesse um pouquinho mais de paciência, meu filho estaria comigo hoje”.

Outros cartazes diziam “vidas negras importam”, em conexão com os protestos que ocorrem há dez dias nos Estados Unidos depois que um policial branco matou George Floyd, na cidade de Minneapolis, nos EUA.

Entenda o caso

Miguel Otávio, de 5 anos, havia sido levado pela mãe, Mirtes Renata, para a casa onde trabalhava porque ela não tinha com quem deixar a criança em função da pandemia. A patroa, Sari Mariana Côrte Real, pediu a ela que fosse passear com o cachorro. Ao fazer isso, Mirtes deixou o filho no apartamento, com a dona da casa.

A patroa deixou o menino entrar em um elevador, sozinho, para buscar a mãe e voltou para casa para fazer a unha com uma manicure. O menino entrou no elevador, no quinto andar, e foi até o nono, de onde caiu.

O Ministério Público de Pernambuco divulgou nota lamentando a morte e se solidarizando com a família de Miguel Otávio. O órgão informou que acompanha o caso. Além do episódio, investiga também o fato de Mirtes ser remunerada pela prefeitura de Tamandaré, presidida pelo patrão.

“Quanto a esta situação, o procurador-geral de Justiça já determinou a instauração de procedimento criminal para apurar eventual prática de crime e enviou cópia da representação para a Promotoria de Justiça de Tamandaré, para investigar provável ato de improbidade administrativa”, disse o MPPE em nota.

Edição: Lílian Beraldo

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