Cerca de 400 moçambicanos fogem de atos de xenofobia na África do Sul
Cerca de 400 moçambicanos vítimas de ataques xenófobos na África do Sul estavam hoje (22) a caminho do centro de acomodação de Boane, na província de Maputo. "Sete ônibus estão saindo da África do Sul neste momento e provavelmente dentro de oito horas [os moçambicanos] chegam ao centro de acomodação de Boane", disse Fernando Manhiça, diretor para Assuntos Jurídicos e Consulares do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Moçambique.
Desde que os ataques a estrangeiros começaram na África do Sul, há cerca de duas semanas, mais de 600 moçambicanos refugiaram-se em centros de acomodação temporária. Cento e sete já voltaram para Moçambique, a maioria foi encaminhada cidades de origem.
De acordo com Fernando Manhiça, as autoridades moçambicanas esperavam ontem (21) a chegada de outro grupo, formado por quase 180 pessoas, mas devido aos procedimentos migratórios exigidos pelas autoridades sul-africanas, a viagem foi adiada para hoje.
"Há alguns procedimentos obrigatórios que os repatriados devem observar, que acabaram atrasando o processo. Mas os dois grupos devem chegar hoje", disse Fernando Manhiça, ao crescentar que o número total é de cerca de 400 pessoas.
Segundo Manhiça o número de moçambicanos que procuram os centros de acomodação na África do Sul, nas últimas horas, diminuiu em consequência da aparente volta à normalidade nos subúrbios das principais cidades sul-africanas.
"Algumas pessoas começaram até a deixar os centros de acomodação. Dos dados que temos, o número de moçambicanos que estão nos centros agora está entre 60 e 70", declarou, ao lembrar que há pessoas que queriam voltar mas, depois de observarem a aparente calma, decidiram ficar no país.
O porta-voz do Conselho de Ministros de Moçambique, Mouzinho Saíde, disse na terça-feira que mais de 1,5 mil moçambicanos voltaram ao país por meios próprios devido à crise de violência xenófoba na África do Sul.
Para fugir dos altos índices de pobreza em Moçambique, a população, principalmente a mais jovem das zonas rurais do Sul do país, emigra ilegalmente para a África do Sul, à procura de melhores condições de vida no país vizinho e uma das economias mais desenvolvidas da África.
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