Líder da Bielorrússia propõe entregar cargo após referendo

Protestos e greves são maior desafio de Lukashenko em 26 anos de poder

Publicado em 18/08/2020 - 07:18 Por Andrei Makhovsky - Repórter da Reuters - Minsk
Atualizado em 18/08/2020 - 05:42

O líder da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, disse nessa segunda-feira (17) que estaria disposto a entregar o cargo após um referendo, numa tentativa de apaziguar os protestos e as greves em massa que representam o maior desafio em seus 26 anos no poder.

Ele fez a oferta, afirmando que ela não será concretizada enquanto estiver sendo pressionado pelos manifestantes, depois que a líder de oposição Sviatlana Tsikhanouskaya, exilada, disse estar disposta a comandar o país.

A vulnerabilidade crescente de Lukashenko ficou clara quando ele enfrentou vaias e brados de "renuncie", durante discurso a trabalhadores de uma das maiores indústrias estatais do país, que são o orgulho de seu modelo econômico de estilo soviético e uma base de apoio crucial.

A Rússia disse a Lukashenko que está disposta a fornecer ajuda militar à Bielorrússia no caso de ameaça externa.

Lukashenko enfrenta o risco de sanções da União Europeia desde a repressão sangrenta dos protestos realizados. Os manifestantes alegam que a reeleição da semana passada foi fraudulenta. Ele nega ter perdido, citando resultados oficiais que lhe deram pouco mais de 80% dos votos.

Falando por videoconferência da Lituânia, Tsikhanouskaya apelou a agentes de segurança e de cumprimento da lei para que mudem de lado, dizendo que serão perdoados se o fizerem agora. "Estou pronta para assumir a responsabilidade e agir como uma líder nacional durante este período", disse Tsikhanouskaya.

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