EUA anunciam exercício militar conjunto com a Guiana

Medida ocorre após Venezuela ameaçar tomar território do país vizinho

Publicado em 07/12/2023 - 16:58 Por Julia Symmes Cobb, Matt Spetalnick e Ricardo Brito - Washington (EUA)

Os Estados Unidos afirmaram nesta quinta-feira (7) que realizarão operações aéreas na Guiana, com base em seu envolvimento rotineiro, conforme Reino Unido e Brasil expressavam preocupação com as crescentes tensões na fronteira entre a Guiana e a Venezuela.

O Comando Sul dos EUA, que fornece cooperação de segurança na América Latina, realizará operações aéreas com os militares guianenses na Guiana na quinta-feira, informou a embaixada dos EUA em Georgetown em um comunicado.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, conversou com o presidente da Guiana, Irfaan Ali, na noite de quarta-feira (6) e reafirmou o apoio inabalável do seu país à soberania da Guiana, informou o Departamento de Estado.

"Esse exercício se baseia no engajamento e nas operações de rotina para aprimorar a parceria de segurança entre os Estados Unidos e a Guiana, e para fortalecer a cooperação regional”, afirmou.

Disputa

A longa disputa pela região de Essequibo, rica em petróleo, que está sendo julgada pela Corte Internacional de Justiça (CIJ), aumentou no fim de semana. No último domingo (3), eleitores venezuelanos rejeitaram a jurisdição da CIJ e apoiaram a ampliação do território venezuelano, com a inclusão de Essequibo.

A Guiana questionou a legitimidade da votação, colocou suas Forças Armadas em alerta máximo e disse que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está desrespeitando as determinações da CIJ de não tomar nenhuma medida para mudar a situação geopolítica em Essequibo.

Os comentários de Maduro sobre a autorização da exploração de petróleo na área atraíram a ira do presidente da Guiana, Irfaan Ali, que procurou tranquilizar os investidores, como a Exxon, que têm grandes projetos na costa da Guiana.

O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido disse nas mídias sociais que as medidas recentes da Venezuela eram preocupantes, “injustificadas e devem cessar”.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que estava acompanhando os acontecimentos com "crescente preocupação" e sugeriu que os órgãos multilaterais deveriam contribuir para uma solução pacífica e que o Brasil poderia sediar conversações.

“Se tem uma coisa que não queremos na América do Sul é guerra”, enfatizou Lula. “Nós não precisamos de guerra, não precisamos de conflito. Nós precisamos é construir a paz”, completou.

A inteligência do Exército Brasileiro detectou um aumento da presença das Forças Armadas venezuelanas perto da fronteira com a Guiana, de acordo com uma fonte militar sênior.

Analistas e fontes em Caracas disseram que o referendo foi um esforço de Maduro para mostrar força e medir o apoio de seu governo antes da eleição de 2024, em vez de representar uma probabilidade real de ação militar.

O governo de Maduro prendeu na quarta-feira Roberto Abdul, da oposição, por suposta traição relacionada ao referendo e disse que também há mandados de prisão para três membros da equipe da campanha da candidata presidencial da oposição Maria Corina Machado.

Um advogado do partido de Machado disse que a equipe sempre agiu corretamente.

Um porta-voz do Departamento de Estado dos EUA disse que estava ciente das ordens de prisão e “monitorando de perto a situação”.

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