Capoeiristas farão censo para mapear grupos na capital paulista

Publicado em 21/02/2024 - 18:10 Por Joana Côrtes - repórter da Rádio Nacional - São Paulo

Uma pesquisa censitária vai mapear, qualitativamente, os grupos de capoeira na maior metrópole da América Latina. Nos próximos três meses, o Fórum da Capoeira do Município de São Paulo quer saber gênero, raça e território de quem faz as rodas de capoeira da capital paulista. De acordo com o Mapa São Paulo da Capoeira, realizado durante a pandemia, a cidade tem atualmente 450 grupos identificados.

Gente de reza e de ginga de grupos como os dos pesquisadores e capoeiristas Renato de Souza, mais conhecido como contramestre Palito, e Klayton Santana. Palito conheceu a capoeira aos 13 anos, nas rodas ligadas a um terreiro afrobrasileiro no bairro do Jabaquara, na zona sul da cidade. Já Klayton aprendeu a jogar ao som do berimbau e do caxixi pelas ruas do Jardim Imbé, no Capão Redondo, aos seis anos.

Os dois integram o Fórum e explicam como vai funcionar o censo para mapear os grupos de capoeira em São Paulo.

“A questão do mapeamento é importante pra descobrir várias coisas: como os grupos se mantêm, a quantidade de homens e mulheres dando aulas de capoeira, a questão do recorte racial – como pessoas negras vivem de capoeira, aonde estão esses espaços. A pesquisa do Censo vai trazer essas informações pra gente, até pra gente brigar por políticas públicas: olha, nós temos tantos capoeiristas, temos tantos grupos e a maioria dos grupos não são fomentados. Não chega recurso pra eles”, explica.

Contramestre Palito conta ainda que a ideia é que, nesta primeira etapa, o censo visite escolas, associações e espaços para entrevistar pessoas responsáveis pelas rodas. Depois da fase de coleta, a etapa seguinte, a de gestão e organização, deve durar outros seis meses.

Para o pesquisador Klayton Santana, o censo vai qualificar as ações do movimento dos capoeiristas junto ao poder público. Também vai produzir um banco de dados que ficará disponível para entidades e pesquisadores.

“A última etapa é o fechamento e a publicação do banco de dados, tanto para a comunidade da capoeira, quanto para os poderes públicos, as universidades, pra que a gente consiga construir mais bibliografias, pra que a gente consiga dialogar com o executivo, com as secretarias de cultura, as secretarias de esporte”, enumera Klayton.

Grupos da cidade de São Paulo que quiserem ser incluídos no censo, podem acionar o Fórum pelo e-mail forumcapoeiramsp@gmail.com. 

Edição: Bianca Paiva / Fran de Paula

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