Destruição de placa pela polícia em Jacarezinho é autoritária, diz ONG

Publicado em 12/05/2022 - 15:39 Por Cristiane Ribeiro - Repórter da Rádio Nacional - Rio de Janeiro

A Secretaria de Conservação do município do Rio de Janeiro informou, nesta quinta-feira (12), que “desconhece a iniciativa” de autorização para a Polícia Civil do estado demolir o memorial erguido na favela do Jacarezinho, na zona norte da cidade. Ele foi feito em homenagem às vítimas da operação policial ocorrida há um ano na comunidade e que ficou conhecida como chacina do Jacarezinho.

A Seconserva também informou que desconhece iniciativa relacionada à construção do memorial.

O monumento erguido no dia 6 de maio, quando completou um ano da operação, era uma parede pintada de azul, onde foram fixadas placas com os nomes dos 28 mortos, incluindo o policial civil André Leonardo de Mello Frias, e foi destruído nessa quarta-feira (11), a marretadas, por agentes da Polícia Civil com auxílio de blindado da corporação.

Em nota, a Polícia Civil alegou que o memorial era ilegal, porque não tinha autorização da prefeitura do Rio e fazia apologia ao tráfico de drogas, já que os 27 mortos tinham passagem pela polícia e envolvimento comprovado com atividades criminosas.

Em reunião na manhã desta quinta-feira (12) com representantes da Faferj, a Federação das Favelas do estado do Rio de Janeiro e do Instituto de Defesa da Pessoa Negra, a vereadora Thais Ferreira, do Psol, presidente da Comissão da Criança e do Adolescente da Câmara do Rio, disse que ela e a vereadora Mônica Benício, também do Psol, vão apresentar um projeto de lei para a construção de um novo memorial, no mesmo local do que foi destruído, para garantir a dignidade humana de luto para todas as pessoas.

O projeto, segundo ela, vai ter também um pacote de ações de políticas públicas para as crianças e adolescentes do Jacarezinho.

O diretor da Faferj, Derê Gomes, enfatizou que o memorial no Jacarezinho foi erguido por diversas entidades sociais que atuam na comunidade, como forma de acolhimento às famílias das vítimas e considerou a destruição pela Polícia Civil como arbitrária, autoritária e ilegal, já que não havia decisão judicial que amparasse a ação.

A destruição do memorial foi criticada também pelo Observatório Cidade Integrada, que reúne entidades da sociedade civil em defesa dos direitos humanos. Um trecho da nota, assinada por 42 entidades, diz que enquanto a violência for a única resposta do Estado às populações vulnerabilizadas, a sociedade civil continuará se articulando em prol dos direitos humanos para defender seus espaços.

 

Edição: Paula de Castro Ribeiro / Guilherme Strozi

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