Historiador defende valorização dos sambistas da Velha Guarda

Respeito ao passado

Publicado em 26/02/2017 - 10:45 Por Karol Assunção - Rio de Janeiro

Eles já foram mestres-salas, portas-bandeiras, ritmistas e passistas. Muitos conheceram o samba ainda criança e, desde então, não largaram o ritmo. A idade pode até ser avançada, mas o amor pelo samba e pela escola não deixam o corpo parado ao toque de um pandeiro, um surdo, uma cuíca ou um tamborim.


Os integrantes da Velha Guarda representam a história viva da escola. Para o historiador Vinícius Natal, que pesquisa a memória das escolas de samba no Rio de Janeiro, a Velha Guarda está ligada ao respeito que as sociedades africanas possuem aos anciãos.


Sonora: “A gente tem que enxergar a escola de samba enquanto uma cultura popular, uma prática oriunda da diáspora dos negros escravizados que vieram para o Brasil. Onde, nessas sociedades, havia um respeito ao mais velho. Essa prática da velha guarda está muito associada a uma visão de respeito aos mais sábios, aos anciãos.”

 

No campo institucional, Natal explica que cada escola possui regras próprias para o ingresso na Velha Guarda. Mas, em geral, são pessoas acima de 50 anos, com histórico de atuação na escola e que foram convidadas ou aprovadas pelos que já integram a ala.


Foi o caso de Aluísio Machado, o Capoeira, do Império Serrano. Aos 62 anos de idade, ele é fundador da Velha Guarda Show da verde e branco. Ele destaca a responsabilidade de integrar o setor.


Sonora: “É uma responsabilidade incrível e foi um presente que Deus me deu. Porque você viver com pessoas de idade e de nome e a caminho do bem, é uma chance que Deus dá, é outra vida. As pessoas às vezes descartam as pessoas de idade. Mas eu fui aprender a vivência que têm uma sabedoria incrível.”


Mesmo com tamanha importância, Vinícius Natal, que também é diretor cultural da Vila Isabel, acredita que as Velhas Guardas precisam ser valorizadas:


Sonora: “As escolas de samba vivem uma situação paradoxal. Ao mesmo tempo em que muitas velhas guardas aparecem em jornais, posando, no relacionamento, muitas vezes, não funciona assim. Os componentes da velha guarda não são valorizados, suas histórias não são valorizadas.”


O único fundador vivo da Acadêmicos do Salgueiro, seu Djalma Sabiá, destaca a importância de preservar a história das escolas de samba:


Sonora: “Não existe história sem passado. Você tem que saber a base.”


A alegria e disposição dos integrantes da Velha Guarda podem ser sentidas nas quadras das escolas, durante dos ensaios e festejos, e também na Marquês de Sapucaí, nos desfiles que já começam neste fim de semana.

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