Acúmulo de gordura nas pernas e braços pode ser sinal de lipedema

Junho é o mês de conscientização da doença, que afeta 11% das mulheres

Publicado em 15/06/2020 - 16:09 Por Ludmilla Souza – Repórter da Agência Brasil - São Paulo

Este é o mês de conscientização sobre o lipedema, uma doença vascular crônica e de origem hormonal que acomete principalmente mulheres. Mais raro nos homens, o lipedema tem quadro caracterizado pelo depósito de gordura e inchaço localizado nas pernas e braços, com exclusão das mãos e pés, e dores nas áreas afetadas.

Segundo os médicos, alguns estágios da vida são mais propícios ao desenvolvimento da doença, como a puberdade, a gravidez e a menopausa, justamente por se tratar de um problema que tem origem no sistema endócrino. A alimentação também é um fator de grande influência para a evolução do problema.

Por esses motivos e por conta da alta incidência da doença e pouca informação da população a respeito, junho é o mês dedicado a esclarecimentos e conscientização sobre o lipedema. “Estima-se que varizes ocorram em 45% a 50% das mulheres e o lipedema, em 11%. Portanto, logicamente, a coexistência existe. Das pacientes com lipedema, 53% têm teleangiectasias e 39% varizes”, explica o cirurgião vascular e professor Alexandre Campos Moraes Amato, membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular de São Paulo (Sbvac-SP).

Amato enfatiza que a campanha visa conscientizar tanto o público quanto os médicos. “A campanha pretende conscientizar o público leigo e também o médico de que lipedema é uma doença frequente nas mulheres. Para os médicos, deve ser uma hipótese diagnóstica a ser considerada. Para o público leigo, que tem os sintomas, buscar ajuda médica e perguntar sobre a possibilidade do lipedema.”

O especialista destaca que casos da doença em homens são extremamente raros. "Existem pouquíssimos casos descritos na literatura. São relatos de caso anedóticos, onde havia também alterações hormonais feminilizantes.”

Hereditariedade

A doença tem fator hereditário: assim é comum que mulheres da mesma família desenvolvam o problema no decorrer das gerações. Apesar de crônico, o lipedema pode ser tratado a fim de amenizar os  sintomas e o sofrimento da paciente. Além do acúmulo de gordura e da dor eminente, o surgimento de hematomas, peso nos membros e fragilidade capilar são alguns dos sinais que podem ser avaliados por um angiologista ou cirurgião vascular para identificar a doença. Em geral, a gordura é localizada da altura da cintura até os tornozelos e pode comprometer a mobilidade.

Como não há meios de prevenir a genética, é possível diminuir as consequências, explica Amato. “Há como reduzir as consequências maléficas da genética. Em primeiro lugar, evitar grandes variações hormonais durante a vida, ou seja, mudar de anticoncepcional hormonal, por várias vezes e métodos, ao longo do tempo. Evitar o uso indiscriminado de hormônio exógeno, adquirir prematuramente hábitos saudáveis, como exercício físico e conscientização da alimentação, evitar ganho de peso e obesidade, podem ajudar não só a evitar o desencadeamento da doença, como facilitar muito a adaptação necessária no momento do tratamento. Ou seja, para quem nunca fez uma dieta na vida, quando for necessário, será muito mais difícil”, afirma o especialista.

A Sbvac-SP alerta que o diagnóstico é extremamente necessário, justamente por se tratar de uma doença que pode ser confundida com as varizes e o linfedema, caracterizado pelo inchaço de membros por meio da retenção de líquidos. E ainda, a lipodistrofia ginoide, conhecida popularmente por celulite, que pode ser desencadeada pelo lipedema e causar inflamação e fibrose.

Segundo Amato, para que o tratamento da doença seja eficaz, é necessária uma mudança no estilo de vida da paciente. O tratamento envolve correção alimentar, exercícios físicos direcionados, mudança de hábitos de vida, intervenções medicamentosas e cirúrgicas, diz o médico. "A abordagem multidisciplinar é muito eficaz e torna possível a melhora de 35% nos sintomas com o tratamento clínico e de 58% no tratamento cirúrgico.”

Edição: Nádia Franco

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