Mais agressiva, cepa Gama pode ser contida com lockdown e vacinação

Conclusão consta de estudo com universidades brasileiras e americanas

Publicado em 06/08/2021 - 18:21 Por Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil - São Paulo

A variante Gama, inicialmente denominada P1 e que teve origem no Brasil, é mais agressiva. Essa é a conclusão do estudo desenvolvido em São José do Rio Preto, no interior paulista, por meio de sequenciamento genético e análises epidemiológicas. A mesma pesquisa mostra ainda que lockdown e vacinação são eficientes para conter a mutação do vírus da covid-19. 

O trabalho envolveu a Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade de São Paulo (USP), Fundação Bill&Melinda Gates, Universidade de Washington, University of Texas Medical Branch e Secretaria de Saúde de São José do Rio Preto. 

“O colapso do sistema de saúde em São José do Rio Preto não aconteceu. Nós tivemos as UTIs cheias, mas em nenhum momento faltou leito, não teve lotação total e mesmo assim a mortalidade foi muito maior que anteriormente. Isso comprova que ela realmente é uma variante mais grave”, explica Maurício Lacerda Nogueira, professor da Famerp.

Ele aponta que já havia suspeita de uma maior agressividade da variante desde o colapso em Manaus. “Mas os autores de [estudos em] Manaus colocavam que também naquela época havia tido uma total falência do sistema de saúde. Não seria possível atribuir só à P1 uma maior gravidade”, relembra.

No município paulista, portanto, a maior transmissibilidade dessa cepa foi associada ao aumento de casos graves (127%) e mortes (162%) em março e abril de 2021. A vigilância genômica do novo coronavírus é feita no município desde outubro do ano passado. De acordo com os pesquisadores, foram analisados 272 genomas completos. Das 12 linhagens identificadas, a P1 representou 72,4%. 

Lockdown e vacinação

São José do Rio Preto adotou lockdown de quase três semanas no pico da transmissão da variante Gama, em março, e o estudo também mostrou a eficácia da medida. A análise foi feita com o cruzamento de dados relativos à taxa de isolamento e dados epidemiológicos, como número de casos, variação genética e número de testes. 

“Nós fomos capazes de calcular o R, a taxa de transmissão. E a taxa de transmissão é inversamente proporcional ao isolamento social, então quanto menos isolamento maior transmissão e vice-versa”, apontou. Segundo o professor, a taxa de transmissão ficou abaixo de 1. “O número de casos estabilizou, com tendência à queda, e isso permitiu que não ocorresse a falência do sistema de saúde, como ocorreu em outros municípios.”

Também foi possível constatar a eficácia da vacinação. “Qual a população que já estava vacinada quando a P1 atingiu seu auge? Era quem tinha acima de 70 anos e essa população teve número de mortes e casos graves muito menor que a população que não foi vacinada, mostrando que a vacina realmente protegeu essas pessoas”, disse Nogueira.

Edição: Denise Griesinger

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