Blocos de rua ajudam a descentralizar a folia em Belo Horizonte

Publicado em 11/02/2017 - 19:35 Por Léo Rodrigues – Correspondente da Agência Brasil - Belo Horizonte

Belo Horizonte Tchanzinho Zona Norte surgiu com a preocupação de descentralizar o carnaval na capital mineira

Belo Horizonte – Tchanzinho Zona Norte surgiu com a preocupação de descentralizar o carnaval na capital mineiraTchanzinho Zona Norte / Divulgação

Uma característica do carnaval de Belo Horizonte é a diversidade de ritmos. Há blocos para quem gosta de samba, marchinha, axé, afoxé, rock, reggae, sertanejo, pagode, funk, entre outros. Incorporar públicos de bairros afastados do centro-sul da cidade foi um dos objetivos do Tchanzinho Zona Norte, estreante em 2013. Seus desfiles se dão ao som de clássicos do axé de bandas comerciais como É o Tchan e Asa de Águia.

“É uma brincadeira com esse tipo de repertório, que muitas vezes sofre uma desvalorização. Fazemos uma abordagem irônica e divertida”, diz Rodrigo Picolé, regente do bloco que deve receber 20 mil pessoas.

Essa, no entanto, não foi a única questão que motivou a criação do Tchanzinho Zona Norte. Seus integrantes defendiam a descentralização da folia. “Queríamos fazer um desfile um pouco mais distante da região Centro-Sul, onde o carnaval acontecia majoritariamente e onde os blocos reúnem em grande parte a classe média", diz Rodrigo Picolé.

O Tchanzinho Zona Norte foi apenas uma das muitas iniciativas que levaram moradores da cidade a conhecer novos bairros e regiões. No carnaval deste ano, o Barreiro é a única das nove regionais de Belo Horizonte que não possui blocos cadastrados na Belotur.

Também buscando estimular a descentralização do carnaval, o bloco Filhos de Tcha Tcha organizou, em 2015, um desfile na Ocupação Izidora. Na comunidade que surgiu em 2013, vivem 8 mil famílias constantemente ameaçadas de despejo. “Aqui tem família, trabalhador, crianças. O bloco ajuda a mostrar para a cidade que nós existimos e não precisamos ser tratados com preconceito”, diz uma moradora não identificada em entrevista ao documentário BH no Ritmo da Luta, produção da cineasta Dandara Andrade que aborda o ressurgimento dos blocos de rua na capital mineira.

Marchinhas

Com o crescimento, o carnaval da cidade é desfrutado por públicos diversificados, muitas deles alheios a esta história. Mas diversos foliões seguem se mobilizando contra medidas que consideram restritivas em relação à ocupação do espaço público. No ano passado, às vésperas do carnaval, o alvo foi uma nova medida assinada pelo ex-prefeito Márcio Lacerda, que entrava em seu último ano de governo. O Decreto 16203/2016 proibia “o uso de recipientes de refrigeração ou similares, churrasqueiras, grelhas, assadeiras e utensílios que gerem fogo ou chamas em logradouros públicos, exceto quando devidamente licenciados”.

Imediatamente foi convocado o Churrascão e Isoporzaço, que reuniu centenas de pessoas na Praça da Estação. Uma marchinha intitulada Prefeito, Libera o Cooler ganhou as redes sociais. A pressão levou à revogação do decreto, que durou apenas sete dias.

A produção de marchinhas politizadas e sarcásticas é outro ingrediente do carnaval de Belo Horizonte. Desde de 2012, a produtora Cria Cultura realiza o esperado Concurso Mestre Jonas. “O evento entrou no calendário da cidade. Já fica todo mundo esperando pela marchinha vencedora”, diz o folião Guto Borges. Ele é integrante de diversos blocos, incluindo o pioneiro Tico Tico Serra Copo, e também um dos compositores de Imagina na Copa, marchinha vencedora em 2013 que aborda conflitos sociais decorrentes da realização Copa do Mundo no Brasil, como as desapropriações.

Edição: Wellton Máximo

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