Auditores fiscais do trabalho pedem julgamento de acusados da Chacina de Unaí

Publicado em 28/01/2015 - 15:47 Por Michèlle Canes - Repórter da Agência Brasil - Brasília

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho faz ato público em frente ao STF, para lembrar os 11 anos do episódio que ficou conhecido como Chacina de Unaí" (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Organizado pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho, protesto em frente ao Supremo pediu o fim da impunidade  dos  responsáveis pela Chacina de Unaí, que completou hoje 11 anos  Antonio Cruz/Agência Brasil

Auditores fiscais do trabalho fizeram, na manhã desta quarta-feira (28), manifestação em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), com faixas, camisetas, placas e pedindo justiça, eles lembraram os 11anos do assassinato de três fiscais e um motorista durante uma fiscalização no interior de Minas Gerais. O episódio ficou conhecido como Chacina de Unaí. Até agora, apenas três dos nove indiciados foram julgados e condenados.

As viúvas das vítimas, o ministro do Trabalho e Emprego (MTE), Manoel Dias, e a presidenta do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Rosa Maria Campos Jorge, reuniram-se com a ministra do STF Cármen Lúcia. “Nós achamos que está demorado demais porque tem dois anos que eles impetraram o pedido de habeas corpus”, disse Rosa, em referência ao recurso usado por Norberto Mânica, acusado de ser um dos mandantes do crime, e por José Alberto de Castro, de ser intermediário, para tentar transferir o julgamento da cidade de Belo Horizonte para Unaí.

Segundo o sindicato, o processo encontra-se parado no STF com o ministro Dias Toffoli, que pediu vista. Na reunião, os participantes pediram celeridade no julgamento do caso. “A ministra Cármen Lúcia nos recebeu. Ela vai, a partir de segunda-feira (2), tentar localizar o processo e, na medida que puder, ajudar a agilizar o julgamento”, disse o ministro Dias.

O Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho faz ato público em frente ao STF, para lembrar os 11 anos do episódio que ficou conhecido como Chacina de Unaí" (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Manifestantes  temem  que  julgamento  seja  transfido  de  Belo  Horizonte  para UnaíAntonio Cruz/Agência Brasil

Para o sindicato e parentes das vítimas, a transferência do julgamento de Belo Horizonte para Unaí pode significar a impunidade dos acusados, entre eles os irmãos Norberto e Antério Mânica. “Os mandantes são pessoas muito poderosas economicamente. Os maiores empregadores e compradores da região. Eles têm a população nas mãos. São esses que vão integrar o corpo de jurados. Certamente essas pessoas vão se sentir pressionadas a votar a favor dos réus”, afirma a presidenta do Sinait.

Helba Soares da Silva, viúva de Nelson José da Silva, um dos auditores mortos na chacina, também acredita que a isenção do julgamento só será possível se o processo permanecer em Belo Horizonte. “Estamos vendo a impunidade e tristes, por estar vindo, há 11 anos, estar vindo aqui, todo ano, ‘mendigar’ justiça. Pedir que a justiça seja feita e agora, mais essa, deles quererem levar o julgamento para Unaí. Se for para essa cidade, posso dar a sentença agora. Ele tá livre.”

A Chacina de Unaí aconteceu em 2004 no dia 28 de janeiro. Para homenagear as vítimas, a data foi escolhida como Dia Nacional do Auditor Fiscal do Trabalho e é também dedicada à  Semana Nacional de Combate ao Trabalho Escravo.

Edição: Valéria Aguiar

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