Colômbia: vídeo polêmico marca encerramento de campanha presidencial

Publicado em 19/05/2014 - 20:47 Por Leandra Felipe - Correspondente Agência Brasil/EBC - Bogotá

O candidato oposicionista de direita na Colômbia, Oscar Zuluaga, do Centro Democrático, partido criado pelo senador Álvaro Uribe, sofreu um forte golpe nesse domingo (18), no encerramento da campanha das eleições presidenciais. Todos os candidatos criticaram Zuluaga após a divulgação de um vídeo em que ele aparece “conspirando” contra o presidente Juan Manuel Santos com seu funcionário, o hacker Andrés Sepúlveda, que espionou o processo de paz em Havana.

No vídeo, Zuluaga conversa com Sepúlveda sobre como sua campanha poderia usar as informações obtidas na espionagem das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para prejudicar a candidatura de Juan Manuel Santos. O hacker foi preso há duas semanas, após denúncia de espionagem de delegados das Farc em Cuba. Antes da divulgação do vídeo, Zuluaga havia se destacado e chegado a um empate técnico com Santos, que tenta a reeleição,  nas pesquisas de intenção de voto.

Hoje (19), um dia depois da divulgação do vídeo, o presidente Santos também foi mais incisivo e criticou o ex-presidente Álvaro Uribe pelas acusações que fez na reta final da campanha. Uribe afirmou que um assessor de Santos teria recebido dinheiro do narcotráfico nas eleições de 2010, quando o atual presidente foi eleito. Até o momento, não foram apresentadas provas sobre a denúncia, mesmo assim o escândalo afetou a imagem de Santos e contribuiu para o crescimento de Zuluaga.

“Esta acusação de Uribe sobre a entrada de dinheiro do narcotráfico na minha campanha de 2010 é falsa. Onde estão as provas? Por isso Uribe caiu em descrédito e, por onde vou, as pessoas começam a gritar que ele é mentiroso”, afirmou Santos, em entrevista a uma emissora de rádio na manhã de hoje.

Oscar Zuluaga e Álvaro Uribe afirmaram que o vídeo era uma montagem, embora peritos consultados pela imprensa colombiana tenham afirmado que o material é “confiável”.

Com três dos seis pontos do processo de paz discutidos e já com acordos parciais celebrados, o presidente Santos procura reunir todos as forças liberais, moderadas e de esquerda do país, em nome da continuidade do processo que pode colocar fim a meio século de conflito armado.

Até mesmo as Farc e o Exército da Libertação Nacional (ELN) deram sinais de que são favoráveis à sua eleição. O cessar-fogo conjunto anunciado na semana passada pelas duas guerrilhas é um fato inédito no país, desde que o conflito foi iniciado. Este será o primeiro cessar-fogo realizado durante um período eleitoral na Colômbia. Segundo analistas, sem confrontos, as comunidades que vivem perto das chamadas "zonas vermelhas" (de combate) terão mais facilidade e segurança para se deslocar e participar do processo, marcado para domingo (25).

 

Edição: Helena Martins

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