Pessoas que moram sozinhas são 14,4% dos arranjos familiares

Publicado em 04/12/2015 - 11:01 Por Vinícius Lisboa – Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

Idosos ocupam sobrado em área nobre de São Paulo (Daniel Mello/Agência Brasil)

Segundo o IBGE, em 10 anos, houve acréscimo de 13,8 milhões de pessoas nesse grupoDaniel Mello/Agência Brasil

O percentual de pessoas que moram sozinhas subiu em relação ao total de arranjos familiares no Brasil. Em 2014, 14,4% das "famílias" que ocupavam um domicílio eram formadas por uma pessoa só, o que representa um crescimento em relação a 2010, quando a participação era de 10% do total. "O total de arranjos familiares e arranjos unipessoais passou de 56,4 milhões, em 2004, a 70,2 milhões, em 2014", informa a página 39 da Síntese de Indicadores Sociais de 2015. O número correto é apenas 14,4% de 70,2 milhões.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 10 anos, houve acréscimo de 13,8 milhões de pessoas nesse grupo. Em 2004, 56,2 milhões de pessoas viviam sós.

Os dados divulgados hoje (4) fazem parte da Síntese de Indicadores Sociais e mostram que a maioria (43,4%) dessas pessoas tem mais de 60 anos. O índice variou pouco mais de 2 pontos percentuais em uma década. Em 2004, 41% das pessoas nessa faixa etária moravam sozinhas.

Geração Canguru

Ao longo dos últimos 10 anos, a proporção de jovens entre 20 e 29 anos que mora sozinha caiu de 11,4% para 9,6% em 2014. Já na faixa etária entre 25 e 34 anos, a proporção subiu, ao passar de 21,2% em 2004 para 24,3% em 2014.

Para o pesquisador do IBGE André Simões, os dados mostram uma transformação estrutural na sociedade: "É uma mudança que está ligada à estrutura da sociedade, ao encarecimento do custo de vida e à possibilidade de ficar mais tempo em casa para se qualificar". Esses jovens são majoritariamente homens (59%).

Crianças e adolescentes

O último ano em que mais da metade dos lares brasileiros tinha ao menos uma criança ou um adolescente foi 2004, quando a proporção era 51,1%. Desde então, o patamar foi caindo ano após ano, até chegar a 40,4% em 2014.

A queda foi verificada tanto no grupo de crianças até 5 anos (de 25,7% para 19,3%), quanto no grupo de crianças entre 6 e 14 anos, que apresentou redução de 36,6% para 29%.

A Região Norte é a única em que mais da metade (51,5%) dos lares têm crianças ou adolescentes. No Acre, por exemplo, o número chega a 58,6%. Em 2004, 63,2% dos lares da Região Norte tinham crianças ou adolescentes.

O menor percentual de lares com crianças foi verificado na região metropolitana do Rio de Janeiro, que era 41,3% em 2004 e caiu par 32,9% em 2014.

Natalidade

Os dados do IBGE sobre natalidade mostram que a taxa de fecundidade dos casais brasileiros caiu, em uma década, enquanto aumentou a proporção de famílias que adiam o momento da gestação.

Segundo a Síntese de Indicadores Sociais, a proporção de arranjos familiares que se identificaram como casal com filhos caiu de 51% para 42,9%, enquanto o percentual de casais sem filhos aumentou de 14,7% para 19,9%.

Para a pesquisadora do Instituto Cintia Simões, o grupo de lares sem crianças deve ser objeto de atenção do poder público, já que parte das políticas sociais está vinculadas à presença de crianças e adolescentes na residência.

Envelhecimento

A pesquisa também mostra o envelhecimento da população brasileira. Entre 2004 e 2014, o percentual de pessoas com até 29 anos de idade caiu de 54,4% para 45,7%.

No Brasil, o estado com a população mais jovem é o Amapá, que tem 58% dos habitantes com até 29 anos de idade. E o que tem menos jovens é o Rio Grande do Sul, com 40,5% dos habitantes nesta faixa etária. O menor percentual absoluto, no entanto, foi verificado na região metropolitana do Rio de Janeiro, que tem 40,1% de jovens.

A chegada de mais pessoas à terceira idade também está alterando o perfil desse grupo. Como mostra a pesquisa, o percentual de pessoas com mais de 60 anos que tem nove anos ou mais de estudo cresceu de 12,7% para 20,7%. Apesar dessa alta, o percentual de idosos sem instrução ou com menos de um ano de estudos continua maior, apesar da queda de 36,5% para 27,3%.

O título, o primeiro parágrafo do texto e a legenda da fotografia foram alterados às 13h00 do dia 26 de outubro para correção de informações

Edição: Denise Griesinger

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