Produção de insumos da medicina nuclear é interrompida por greve no Ipen

Publicado em 19/07/2016 - 20:04 Por Flávia Villela - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

O fornecimento de radiofármacos importantes para a medicina nuclear foi parcialmente interrompido no país, devido ao estado de greve de técnicos do Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (Ipen), principal fornecedor de medicamentos e insumos para a medicina nuclear do país. A greve começou ontem (18) devido a impasses salariais dos cerca de 300 técnicos do instituto, que pertence ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicações.

As gratificações que correspondem a cerca de 30% dos salários dos técnicos não foram incluídas no pacote de projetos de lei de reajuste de salários dos servidores, aprovado pelo Senado na terça-feira (12), o que causou descontentamento entre os técnicos. Segundo superintendente do Ipen, José Carlos Bressiani, a não inclusão da tabela de gratificações foi um erro que será corrigido em breve. “Está marcada uma reunião com o governo hoje e amanhã para definir como será feita a inclusão dessa tabela, mas é preciso encontrar a forma burocrática que permita fazer isso, pois o presidente pode vetar ou aprovar, mas não pode modificar a lei”, comentou ele. Uma nova assembleia da categoria está marcada para quinta-feira (21) para definir se os técnicos encerram a paralisação ou continuam a greve.

Um dos fornecimentos interrompidos é o do radioisótopo O Flúor-18, matéria-prima para realização de um dos mais importantes exames diagnósticos de cânceres, o PET-CT. Como o Flúor-18 tem duração somente de duas horas, não é possível armazená-lo em clínicas e hospitais.

Bressiani lamentou que a paralisação afete principalmente usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). “Hoje já deixamos de entregar o Flúor-18 para cerca de quatro hospitais e os demais radiofármacos estão sendo entregues com algum atraso. É chato, porque são pacientes, que marcaram o exame há dois, três meses e não poderão ser atendidos por falta de material”.

No início do mês, o Ipen anunciou que poderia interromper as atividades devido à falta de recursos. Em março do ano passado, os funcionários pararam a produção, em protesto pela falta de recursos para pagamento dos insumos importados e nacionais e pela interrupção de gratificação dos trabalhadores.

Monopólio

Atualmente o Ipen comercializa produtos para 430 clínicas e hospitais de medicina nuclear, sendo um terço deste material consumido pelo SUS. Além do Ipen, a produção de radiofármacos também é feita no Rio de Janeiro, Recife e em Belo Horizonte, em unidades ligadas ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Comunicação (MCTIC). No caso de radioisótopos com mais de duas horas de vida ativa, denominados de “meia-vida longa” – a Constituição determina que a produção é de responsabilidade exclusiva do Estado brasileiro.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicações informou que detectou a falta dos cargos de técnico e auxiliar-técnico do Ipen no Projeto de Lei da Câmara nº 33/2016 e que já pediu ao Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão a correção da matéria, para que não haja prejuízo aos interesses dos servidores. Além disso, o ministério ressaltou que mantém diálogo com a categoria para solucionar o problema o mais rápido possível.

 

Texto ampliado às 13h45 do dia 20/07/2016 para acrescentar a posição do Ministério da Ciência, Tecnologia e Comunicações


Fonte: Produção de insumos da medicina nuclear é interrompida por greve no Ipen

Edição: Jorge Wamburg

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