Moradores de favela fogem em pânico de incêndio em refinaria no Rio

Publicado em 17/12/2018 - 17:02 Por Vladimir Platonow – Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

O incêndio que atingiu diversos caminhões-tanques na Refinaria de Manguinhos, no Rio de Janeiro, no início da tarde desta segunda-feira (17), deixou em pânico os milhares de moradores da Favela do Arará, que faz divisa com a empresa. As primeiras explosões e o fogo alto que se seguiu fizeram com que as famílias deixasse às pressas suas casas e se refugiando do lado de fora da comunidade.

“Foi muito fogo, muita explosão, muita correria. Criança gritando, adulto chorando, velho chorando, gente caindo, muito tumulto. Estremeceu as casas, por isso nós nos retiramos. Eu estava arrumando a casa e a vizinha veio dizer que a refinaria estava pegando fogo. Se o vento virasse, pegava em tudo”, relatou a dona de casa Carla Cristina, que mora com seis pessoas e saiu correndo, com os filhos e netos, até uma praça distante do incêndio, onde acamparam, esperando o fogo ser controlado.

As ruas da favela ficaram desertas durante o ápice do incêndio. As pessoas fecharam as casas e se concentraram nas entradas da comunidade, com medo do fogo se alastrar. Porém, muitos curiosos subiram na linha do trem que divide o Arará da refinaria para ver mais de perto o trabalho dos bombeiros.

“Tava muito alto o fogo. A favela ficou vazia. Todo mundo correu lá pra fora. Todos ficaram lá na pista”, disse o ajudante de pedreiro Charles.

“Ficaram todos em pânico. A explosão foi muito forte. As pessoas estavam fazendo a comida e abandonaram as casas. Ninguém veio nos orientar de nada”, disse o carregador de verduras Antônio, que está com a mãe doente e não pôde sair de casa.

“Teve a explosão, queimou o primeiro caminhão e aí explodiu um do lado do outro. A reação foi sair correndo todo mundo. Quem tinha parente idoso, carregou no colo. As crianças correndo desesperadas. Deixamos até as casas abertas, nem pensamos duas vezes”, contou Luiz Carlos, que trabalha na dragagem do rio que corta a comunidade.

O incêndio mobilizou bombeiros de dez quartéis. Uma pessoa foi atendida pelos militares por inalação de fumaça. As chamas foram controladas em cerca de duas horas. Até o meio da tarde, as equipes permaneciam no local, atuando no rescaldo. As causas ainda não foram divulgadas.

Edição: Fernando Fraga

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