Domo de Araguainha é um dos 100 sítios que são patrimônio geológico

Na América do Sul, há 10 crateras de impacto. Sete estão no Brasil

Publicado em 26/10/2022 - 20:31 Por Alana Gandra - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

Uma comissão de avaliadores da União Internacional das Ciências Geológicas (UICG) selecionou três sítios do Brasil como patrimônio geológico do mundo, entre os 100 propostos por 55 países. Os três sítios incluídos na lista são o Domo do Araguainha, entre Goiás e Mato Grosso; o Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro; e a região do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais.

A professora da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Federal de Goiás (FCT/UFG), Joana Sánchez, que integra a comissão, destacou hoje (26), em entrevista à Agência Brasil, que a cratera de impacto de Araguainha foi a única do gênero aprovada entre os projetos propostos.

“Não que não tenham outras espetaculares, mas a que foi aprovada foi ela”, disse. A cratera, ou Domo de Araguainha, foi formada pela queda de um asteroide na divisa de Goiás e Mato Grosso, entre as vilas de Araguainha e Ponte Branca, há cerca de 250 milhões de anos. Com um diâmetro de 40 quilômetros (km), é a maior cratera de impacto da América do Sul e uma das poucas do mundo que tem toda a sua estrutura preservada.

Em toda a América do Sul, há apenas dez crateras de impacto, das quais sete estão no Brasil: Domo de Araguainha (GO-MT), Serra da Cangalha (TO), Vargeão (SC), São Miguel do Tapuio (PI), Colônia (SP), Cerro Jarau (RS) e Piratininga (SP). Outras duas crateras ficam na Argentina (Campo del Cielo e Rio Cuarto) e uma terceira no Chile (Monturaqui).

Primeiro projeto

Joana é a única representante do Brasil na comissão de avaliação do Patrimônio Geológico da UICG, formada por 34 pessoas. Ela figura, ainda, entre os quatro principais autores do projeto do patrimônio geológico mundial da entidade internacional.

A professora informou que tudo começou quando a UICG, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), abriu oportunidade para apresentação de projetos para financiamento. Joana foi convidada para participar do primeiro projeto, que consistia em escrever e elaborar a metodologia para os primeiros 100 geossítios mundiais. “Eu sou parte da equipe do projeto e avaliadora”, contou.

Os geossítios são locais bem delimitados geograficamente e que concentram formações geológicas com grande valor científico, estético, ecológico, turístico, cultural e educativo. Rochas, fósseis ou até mesmo o solo podem estar entre as características próprias desses locais que ajudam a contar a história da Terra.

Quarto sítio

A etapa seguinte foi o convite para que professores brasileiros propusessem sítios para a lista. Joana não foi proponente porque fazia parte da comissão de avaliação.

A relação foi preparada em conjunto com o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e incluía quatro sítios, dos quais três foram aceitos. O quarto sítio era uma mina de scheelita, localizada em Seridó (RN).

Apesar de ser considerada patrimônio geológico, a mina não foi escolhida, mas Joana acredita que deverá fazer parte das próximas listas. A scheelita é um tungstato de ocorrência restrita. Depois da wolframita, é o segundo mais importante minério de tungstênio, metal considerado estratégico.

“A gente ficou muito contente porque foram três geossítios brasileiros incluídos, apesar de o Brasil não ter muito essa cultura geológica. A gente é muito novo dentro da geologia para ter sido contemplado assim”, comentou.

Ainda não há perspectiva para a elaboração de uma segunda lista de patrimônio geológico mundial. Joana está, no momento, na Espanha, acompanhando a apresentação dos sítios, propostos por 200 especialistas de 55 países de todos os continentes. Ela retorna ao Brasil no próximo dia 29.

*Matéria alterada às 13h19 para acréscimo de informações

Edição: Kleber Sampaio

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