EUA protestam por Síria presidir Conferência de Desarmamento da ONU

Publicado em 29/05/2018 - 08:25 Por Agência EFE - Genebra

Os Estados Unidos deixaram hoje (29) clara a posição contrária à presidência da Síria na Conferência de Desarmamento da Organização das Nações Unidas (ONU). A Síria dirigirá o órgão durante as próximas quatro semanas de deliberações.

"É um dia triste e vergonhoso para esse órgão. É uma farsa que o regime sírio, que segue assassinando seu povo com armas proibidas pela Convenção sobre Armas Químicas, se atreva a presidir esta conferência", disse o embaixador americano Robert Wood.

Wood pediu aos outros países que condenem o regime sírio por ter violado "de forma descarada" o direito internacional humanitário e "ter agora o descaramento de presidir este órgão".

O diplomata afirmou que desse modo a Síria "mostra desprezo" pelo trabalho da Conferência de Desarmamento, já que ao longo de sete anos de guerra civil "demonstrou que não tem nenhuma intenção de cumprir com suas obrigações internacionais ao seguir em posse e utilizar armas químicas".

Sem boicote

O embaixador explicou que, apesar de tudo isso, a delegação dos EUA não boicotará este período de sessões da Conferência de Desarmamento pela importância dos temas que serão tratados, mas sua participação será muito limitada enquanto a Síria exercer a presidência.

Assim, explicou o diplomata, os EUA poderão manter um olhar vigilante sobre a atuação da Síria e impedir que tente fazer progredir iniciativas que vão contra os interesses dos outros países.

"A nossa presença não significa apoio algum à Síria e nem lhe concede credibilidade em seu papel de presidente. De fato, é tudo o contrário, não podemos nos retirar e permitir que a Síria atue livremente", declarou.

Sem legitimidade

Como gesto simbólico, Wood deixou seu assento quando, ao início da sessão, a Síria assumiu a presidência, para retornar unicamente para tomar a palavra em nome de seu país.

Em nome de seus 28 estados membros, a União Europeia deplorou que o "regime sírio assuma, embora somente por um mês, a presidência da Conferência de Desarmamento" por considerar que carece de legitimidade para assumir a função.

Vários países ocidentais expressaram pontos de vista similares, enquanto outros - como China, Rússia, Paquistão e Coreia do Norte - apoiaram a presidência síria e pediram aos outros países que não utilizem esta situação para "politizar" os trabalhos do órgão da ONU.

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