Nepal cria projeto para medir altitude real do pico do Everest em 2019

Publicado em 27/07/2018 - 08:56 Por Agência EFE - Katmandu

O Everest, monte mais alto do mundo, tem qual altitude exata de seu pico? Para responder essa pergunta polêmica e reescrever um dado de 170 anos de história, os nepaleses preparam um grupo de quase 100 pessoas para concluir o processo de medição em 2019.

Algumas estimativas sugerem que "o topo do mundo" diminuiu por causa dos terremotos de 2015, nos quais morreram mais de 9 mil pessoas, incluindo 19 no Everest. Além dessa e de outras teorias, China e Nepal têm medições diferentes para a mesma montanha.

Em maio de 2019, quando por algumas semanas será aberta a próxima "janela de escalada", considerada o melhor momento para quem pretende chegar ao topo, uma experiente equipe de 81 habitantes das regiões montanhosas do Himalaia, os sherpas, tentará escalar a montanha.

Os sherpas, acostumados a guiar as expedições aos picos locais, subirão equipados com antenas, baterias e dispositivos de monitoramento por GPS.

Para o processo, "serão selecionadas 12 estações de observação diferentes, e cada uma fará um acompanhamento da posição do Everest ao mesmo tempo quando o GPS transmitir o sinal do pico, para obter a altitude", explicou à Agência EFE o chefe do Departamento de Topografia do Nepal, Susheel Dangol.

"Calculamos que as sessões de observação podem durar 30 minutos", disse Dangol, quem também é o coordenador da Secretaria de Medição da Altura do Everest, um departamento do governo nepalês.

O processo utilizará métodos tradicionais, assim como modernas tecnologias de medição, uma delas conhecida como "nivelamento preciso". A novidade já começou a ser usada no distrito de Madar de Siraha, na fronteira entre o Nepal e a Índia, a 76 metros acima do nível do mar.

"Completamos um nivelamento preciso até Patale em Solukhumbu que cobre 170 quilômetros", disse Dangol, que destaca a técnica como a de maior precisão para a determinação da altitude.

O cronograma de trabalho prevê que no final de 2018 seja concluído o trecho até a cidade de Lukla, a porta de entrada para o Everest.

Embora não tenha revelado quando os sherpas começarão a subir, Dangol antecipou que a equipe se propôs a "produzir o relatório final sobre a altitude precisa do Everest até o fim de 2019". O custo do projeto pode ultrapassar US$ 3 milhões.

O país do Himalaia, lar das oito montanhas mais altas entre os 14 picos de todo o mundo acima de 8 mil metros de altitude, nunca mediu a altura do Everest e usa a medição da Índia, de 1954, que situa o cume a 8.848 metros.

Depois do devastador terremoto em abril de 2015, a altura do Everest se tornou no assunto de interesse não só para expedição, cientistas e pesquisadores, mas para todo o mundo, segundo o diretor-geral do Departamento de Topografia, Ganesh Prasad Bhatta.

"Há especulações de que a altura do Everest pode ter mudado devido ao terremoto, mas não houve uma pesquisa científica para verificar essas suposições. O Nepal tem que medir o Everest e divulgar a sua altura real ao mundo pelo orgulho nacional", opinou.

Várias instituições internacionais e a Índia expressaram o interesse de medir a altura da montanha, mas o governo nepalês decidiu empreender a tarefa por conta própria. "No entanto, usaremos a ajuda de especialistas internacionais e cientistas", disse Bhatta.

Centenas de cientistas, pesquisadores e topógrafos de todo o mundo participaram de um seminário internacional no Nepal sobre o procedimento e as técnicas necessárias para voltar a medir a altura do monte.

Em 2005, o Escritório Estatal de Topografia e Cartografia da China voltou a medir o pico e declarou que o topo está a 8.844,43 metros de altitude. No entanto, chineses e nepaleses não chegaram a um consenso.

Esta não é a primeira vez que o governo do Nepal tenta esclarecer as dúvidas. Todas as tentativas anteriores de medição falharam por diversas razões, mas, segundo Bhatta, "o governo o declarou como um projeto de 'orgulho nacional' e não há chances de essa missão ser abortada".

O Nepal arrecada mais de US$ 3,5 bilhões como royalties dos interessados em subir o Everest a cada temporada, que normalmente começa em abril e termina em maio.

Mais de 75 mil estrangeiros chegaram ao Nepal em 2017 para praticar o montanhismo. Alguns deles pagaram US$ 11 mil para subir a montanha mais alta do mundo, um feito conseguido por mais de 5 mil escaladores desde que o neozelandês Edmund Hillary e o nepalês Tenzing Norgay Sherpa atingiram o cume pela primeira vez, em 1953.

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