Grupo cria primeiro barco do mundo feito 100% com resíduos plásticos

Publicado em 22/09/2018 - 12:13 Por Da Agência EFE - Nairóbi (Quênia)

Um grupo conseguiu criar, na ilha quenia na de Lamu, o primeiro barco totalmente construído a partir de plástico reciclado no mundo. O casco é feito com partes de garrafas, escovas de dentes, baldes e pás cobertas por 30 mil chinelos usados.

Todo o plástico deixado no litoral norte do Quênia ou devolvido pelas ondas do mar foi fundido e solidificado em uma fábrica em Malindi, a 150 quilômetros de Lamu, material que deu vida a esta colorida embarcação.

A intenção do grupo é chamar a atenção para o imenso potencial que existe na reutilização do plástico, assim como ressaltar a urgência de se movimentar antes que mais toneladas de resíduos acabem nos oceanos.

"O barco não deixa de ser um símbolo. O objetivo final é seguir com nossa campanha mundial contra o plástico de uso único", informou em Nairóbi um dos fundadores do "FlipFlopi Projects", Dipesh Pabari.

No último dia 15, o barco de plástico realizou sua primeira saída ao mar, o que foi comemorado com uma festa regada à música e comidas tradicionais, além da presenças de moradores de Lamu e do ministro de Turismo do Quênia, Najib Balala.

Barco construído em sua totalidade de resíduos de plástico reciclado encontrados na praia da ilha de Lamu, costa norte do Quênia.
Barco construído totalmente com resíduos de plástico reciclado encontrados na praia da ilha de Lamu, costa norte do Quênia - Abdalla Barghash/EFE/Direitos reservados

 

A ideia nasceu há dois anos, quando Pabari e Ben Morison fundaram o "FlipFlopi Projects" com a intenção de fazer algo para combater a rápida degradação dos oceanos. No ano passado, graças à parceria com vários grupos locais, em dois meses mais de 30 toneladas de plástico foram retiradas das praias da ilha e 10 delas foram reutilizadas na construção do barco.

"O plástico é um dos principais desafios do nosso tempo. Queríamos criar algo que abordasse este problema de uma forma inovadora e fizesse as pessoas pensarem sobre o assunto. Queríamos oferecer uma solução africana para um problema global", acrescentou Pabari.

O Quênia criou, há pouco mais de um ano, uma rígida lei sobre a fabricação, importação, venda e uso de sacolas plásticas, que podem render multas que variam entre R$ 60 mil e R$ 120 mil.

"Sem dúvida, precisamos de medidas drásticas como essa para conseguir alguma mudança", defendeu Pabari.

Caso nada mude, 8 milhões de toneladas de plástico continuarão sendo jogadas anualmente no mar, e em 2050 haverá mais desse material sintético do que peixes nos oceanos, conforme dados divulgados pelo Fórum Econômico Mundial.

Em escala global, cinco países (China, Indonésia, Filipinas, Tailândia e Vietnã) despejam conjuntamente mais plástico no mar do que o resto do planeta, de acordo com um relatório do Ocean Conservancy de 2017.

"Vivemos na revolução do plástico. Ele está por todos os lados e quase todos os dias a imprensa aborda este problema, mas não é comum encontrar uma história inovadora e positiva que venha deste lado do mundo", enfatizou Pabari.

A previsão é que o barco, de nove metros de comprimento, com apoio da ONU Meio Ambiente, vá até Zanzibar, na Tanzânia, no início de 2019, levando a mensagem de que existe vida além do "uso e descarte".

Depois, haverá um maior desafio: criar um veleiro de 25 metros de comprimento, igualmente feito com 100% de resíduos plástico, para percorrer os 5.250 quilômetros do Oceano Índico que separam o Quênia da África do Sul.

"Temos que repensar a forma como vivemos. Estamos em um contexto de consumo fácil, no qual não refletimos sobre as consequências: vemos que é barato e compramos. Temos que começar a pensar que o barato sai caro, porque o econômico para o seu bolso, muito frequentemente, é caro para o planeta e para as próximas gerações", explicou Pabari.

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