San Diego segue em calma com chegada de migrantes a Tijuana

Publicado em 18/11/2018 - 15:31 Por Rafael Salido – Repórter da Agência EFE - SAN DIEGO

A cidade californiana de San Diego continuou neste fim de semana em calma, apesar da presença de milhares de migrantes que aguardam há dias do outro lado da fronteira, na cidade mexicana de Tijuana, com a esperança de poder pedir asilo nos Estados Unidos.

Segundo os últimos cálculos cerca de 4 mil pessoas esperam acampadas do outro lado da alfândega, das quais cerca de 1,5 mil atravessaram o México com a caravana que saiu de Honduras no dia 13 de outubro.

A espera, no entanto, deve ser longa já que o governo do presidente Donald Trump mudou recentemente a legislação de maneira que só se pode solicitar asilo nos portos de entrada como o de San Ysidro, em San Diego.

Como a medida, em princípio, só entraria em vigor em 90 dias, o Escritório de Alfândegas e Proteção Fronteiriça dos EUA (CBP, na sigla em inglês) calcula que isto obrigará membros da caravana a ter de esperar por quatro meses antes de poder iniciar os trâmites de acesso ao país.

Por este motivo, enquanto isso em Tijuana aumenta a tensão em relação à chegada de migrantes, que se veem obrigados a acampar nos arredores da cidade, o que provocou queixas dos moradores.

"Não há violência, nem protestos. Não há diferença. Só se gastou muito dinheiro para ter aqui soldados, sem armas", afirmou à EFE o nova-iorquino Ricardo Callen, ao se referir ao deslocamento de milhares de militares à fronteira com o México.

Callen, um veterano das Forças Armadas dos EUA casado com uma mexicana, assegurou que o povo em San Diego "está tranquilo" e que nem ele, que cruza diariamente a fronteira, nem os seus amigos, veem nenhuma diferença na região.

Um claro exemplo desta calma é o Parque da Amizade, que serve de habitual ponto de encontro para os imigrantes recém chegados ao país que se reúnem lá com seus entes queridos que lhes aguardam do outro lado da fronteira.

O parque amanheceu fechado neste sábado, segundo pôde constatar a EFE, já que as autoridades americanas decidiram fechá-lo, durante o fim de semana, depois que alguns migrantes tentaram entrar no país nadando pela Praia Imperial, situada no extremo ocidental desta região.

Além disso, na sexta-feira, um representante da CBP quase foi atingido por uma pedra procedente do outro lado da fronteira enquanto inspecionava os trabalhos de reforço da cerca.

"As pessoas estão irritadas porque há migrantes muito agressivos. Além disso, nós lhes oferecemos dinheiro, comida, teto, água e eles desprezaram, isso é ruim. Nós mexicanos que viemos para os EUA não podemos fazer isso, porque nos estão abrindo as portas", disse à EFE a jovem mexicana Ruby que trabalha no lado americano da fronteira.

Essa suposta agressividade mostrada por alguns membros das diversas caravanas que há semanas percorrem o México rumo ao norte foi o principal argumento defendido pelo presidente Trump, que qualificou este movimento migratório de "invasão", para ordenar o posicionamento de tropas na fronteira sul.

Policiamento

Segundo os últimos dados divulgados pelo Pentágono, neste momento 5,9 mil soldados regulares estão distribuídos entre os estados de Califórnia, Arizona e Texas ajudando os agentes fronteiriços, principalmente em trabalhos logísticos e com a colocação de arames arame farpado.

Neste sábado a EFE pôde constatar que, com efeito, o porto de entrada de San Ysidro, situado na região sul de San Diego, foi reforçado nas últimas semanas com barreiras e com a remodelação da cerca fronteiriça já existente.

No entanto, neste posto alfandegário, um dos que tem mais tráfego do planeta, além dos helicópteros que sobrevoam constantemente a região, a presença militar não se deixa notar.

"É uma montagem do presidente, não são necessários os soldados aqui, é só uma mostra de força. Não vão atirar contra mulheres e crianças, ou a quem quer atravessar sem armas. É ridículo", concluiu Callen.

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