Unidade neonatal de Gaza alerta que bebês morrerão se energia acabar

Região está sem água, alimentos, remédios e combustível

Publicado em 23/10/2023 - 15:27 Por Nidal al-Mughrabi – Repórter da Reuters - Gaza

Os médicos de uma unidade de terapia intensiva neonatal de Gaza estão lutando para encontrar combustível para geradores e medicamentos básicos para seus pequenos pacientes, que podem morrer em minutos se as incubadoras ficarem sem energia na região palestina sob cerco israelense.

"Pedimos a todos que enviem os suprimentos médicos necessários para esse departamento crítico, caso contrário, enfrentaremos uma enorme catástrofe", disse o médico Nasser Bulbul, do hospital Al-Shifa, na Cidade de Gaza.

"Se a eletricidade acabar nesses departamentos, onde há 55 bebês, perderemos todos os que precisam de eletricidade em cinco minutos."

Ashraf al-Qidra, porta-voz do Ministério da Saúde de Gaza, disse que havia 130 bebês recém-nascidos em incubadoras elétricas em toda a Faixa de Gaza.

Qidra disse que os geradores nos hospitais -- e especialmente no hospital Shifa, o maior dos 13 hospitais públicos de Gaza -- estavam ficando sem combustível.

"Trocamos o combustível para os serviços essenciais que salvam vidas, incluindo as incubadoras, mas não sabemos quanto tempo isso vai durar", disse.

"Estamos fazendo um apelo para que o mundo inteiro ajude com combustível. Até pedimos aos nossos postos de gasolina públicos e privados que doem o que puderem economizar de combustível para ajudar a salvar vidas nos hospitais."

Israel lançou ataques aéreos mais pesados e impôs um bloqueio total à Faixa de Gaza, governada pelo Hamas, depois de um ataque transfronteiriço a comunidades israelenses em 7 de outubro por militantes do Hamas que mataram 1,4 mil pessoas e fizeram mais de 200 reféns.

O minúsculo enclave (termo da geografia, que se refere a um território totalmente cercado por outro, com características políticas, sociais e culturais distintas) palestino, um dos lugares de maior densidade populacional do mundo, está ficando sem água, alimentos, remédios e combustível para seus 2,3 milhões de habitantes, e os médicos de Gaza têm se esforçado para manter os hospitais funcionando.

Um terceiro comboio de ajuda humanitária entrou pela travessia de Rafah, na fronteira com o Egito, nesta segunda-feira (23), com destino a Gaza, mas com muito menos caminhões do que os 100 por dia que as autoridades da ONU dizem ser necessários para atender às demandas essenciais.

Órfão

Os médicos do hospital Shifa dizem que estão esperando que os familiares se apresentem e deem o nome a um bebê cuja casa da mãe, Fatima Al-Hersh, foi bombardeada. Eles disseram que salvaram o bebê, mas não a mãe ou o restante da família de 11 membros.

O médico que está tratando o bebê disse no Facebook: "Quando o bebê melhorar, não sabemos quem cuidará dele, pois ele ficou órfão".

As autoridades de Gaza afirmam que pelo menos 5.087 palestinos foram mortos em ataques aéreos israelenses desde 7 de outubro, incluindo 2.055 crianças, e mais de 15 mil pessoas ficaram feridas.

O escritório humanitário da ONU disse que cerca de 1,4 milhão dos 2,3 milhões de habitantes de Gaza estão agora deslocados internamente, com muitos buscando refúgio em abrigos de emergência superlotados da ONU.

O Exército israelense tem incentivado os palestinos a irem para o sul da Faixa de Gaza, por ser mais seguro, mas os hospitais dizem que não podem transportar os doentes e feridos, especialmente aqueles que precisam de equipamentos para salvar vidas. E os ataques aéreos atingiram toda a Faixa de Gaza.

Um porta-voz militar israelense disse: "As IDF (Forças de Defesa de Israel) têm incentivado os residentes do norte da Faixa de Gaza a se deslocarem para o sul e a não permanecerem nas proximidades dos alvos terroristas do Hamas na Cidade de Gaza."

"Mas, em última análise, o Hamas se entrincheirou entre a população civil em toda a Faixa de Gaza. Portanto, onde quer que surja um alvo do Hamas, as IDF o atacarão para frustrar as capacidades terroristas do grupo, ao mesmo tempo em que tomam precauções viáveis para mitigar os danos aos civis não envolvidos."

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