Forças israelenses intensificam ataques em Rafah, no sul de Gaza

Ataques ocorrem um dia após Israel rejeitar proposta de cessar-fogo

Publicado em 08/02/2024 - 09:54 Por Nidal al-Mughrabi e Humeyra Pamuk - Repórteres da Reuters* - Doha e Tel Aviv

Forças israelenses bombardearam áreas na cidade de Rafah, na fronteira sul, onde mais da metade da população de Gaza estão abrigadas nesta quinta-feira (8), um dia depois que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu rejeitou proposta para acabar com a guerra no enclave palestino.

Netanyahu disse ontem que os termos propostos pelo Hamas para um cessar-fogo, que também envolveria a libertação de reféns mantidos pelo grupo militante palestino, eram "ilusórios" e prometeu continuar lutando. Afirmou que a vitória está ao alcance e a apenas alguns meses de distância.

A rejeição ocorreu após intensa diplomacia para pôr fim ao conflito de quatro meses, antes da ameaça de ataque israelense a Rafah, que agora abriga mais de 1 milhão de pessoas, muitas delas em barracas improvisadas e com falta de alimentos e medicamentos.

As agências de ajuda humanitária alertaram para uma catástrofe humanitária se Israel levar adiante a ameaça de entrar em uma das últimas áreas remanescentes da Faixa de Gaza, para a qual suas tropas não se deslocaram durante a ofensiva terrestre.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, disse que entrar em Rafah, na fronteira com o Egito, "aumentaria o que já é um pesadelo humanitário, com consequências regionais incalculáveis".

Israel afirmou que toma medidas para evitar vítimas civis e acusa os militantes do Hamas de se esconderem entre os civis, inclusive em abrigos de escolas e hospitais, o que leva a mais mortes de civis. O Hamas nega.

Aviões israelenses bombardearam áreas em Rafah na manhã de hoje, segundo moradores, matando pelo menos 11 pessoas em ataques a duas casas. Tanques também bombardearam algumas áreas no leste de Rafah, intensificando os temores dos moradores de um ataque terrestre iminente.

"Estamos de costas para a cerca (da fronteira) e de frente para o Mediterrâneo. Para onde devemos ir?", disse Emad, de 55 anos, um deslocado que é pai de seis filhos.

"Não há lugar para onde ir. Mais de 1 milhão estão fazendo essa pergunta hoje; para onde devemos ir?", declarou Emad à Reuters por meio de um aplicativo de bate-papo.

Pressão diplomática

Apesar da rejeição de Israel à proposta do Hamas, mais conversações estão planejadas e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, em sua quinta viagem à região desde o início da guerra, afirmou que vê espaço para mais negociações.

Em entrevista em um hotel de Tel Aviv, Blinken informou que os elementos da proposta apresentada pelo Hamas continham "pontos não obrigatórios" claros, sem dizer quais eram.

"Mas também vemos espaço no que foi apresentado para prosseguir com as negociações, para ver se podemos chegar a um acordo. É isso que pretendemos fazer".

Uma delegação do Hamas, liderada pelo oficial Khalil Al-Hayya, chegou ao Cairo para conversações sobre o cessar-fogo com o Egito e o Catar, os mediadores na mais recente investida diplomática.

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