Estudo revela que os peixes mais consumidos no Amapá são também os mais contaminados por mercúrio

Amapá

Publicado em 01/08/2020 - 10:36 Por Maíra Heinen - Brasília

Hábitos alimentares da população do Amapá revelam uma preferência por espécies de peixes carnívoros, como pirapucu, tucunaré e trairão. Mas essa escolha, que por um lado fornece segurança alimentar e reduz as taxas de desnutrição, traz também um problema sério: a contaminação por mercúrio.

 

Um estudo realizado por pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca da Fundação Oswaldo Cruz, em parceria com o WWF-Brasil, o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá e o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena do Amapá, revela que todos os peixes analisados no estado, entre 2017 e 2018, apresentaram níveis detectáveis de mercúrio. E quase 30% excederam o limiar de mercúrio aceitável sugerido pela Organização Mundial da Saúde para consumo humano.

 

Os peixes carnívoros mais consumidos são os mais afetados pelo mercúrio; porque, como predadores, acumulam quantidades de mercúrio de outros peixes, ao longo da vida.

 

Os estudiosos recomendam que o consumo de peixes carnívoros não exceda  200 gramas por semana. Com uma atenção às espécies mandubé, pirapucu, tucunaré e trairão, que devem ser ingeridas uma vez por mês.

 

No entanto, Marcelo Oliveira, especialista de Conservação do WWF-Brasil, analisa a complexidade do problema.

 

A principal fonte de emissões e contaminação por mercúrio em toda a América Latina e Caribe é a mineração artesanal de ouro em pequena escala, geralmente organizada em redes ilegais e conduzida por garimpeiros e atravessadores.

 

Além do garimpo, a própria degradação ambiental também aumenta os níveis de mercúrio, como explica Marcelo Oliveira.

 

O estudo indicou ainda que maior risco de contaminação por mercúrio foi observado em crianças na zona interior.

 

Os integrantes da pesquisa estão desenvolvendo uma campanha para apresentar o problema à sociedade. Também devem se reunir com integrantes do poder público estadual e federal para buscar saídas para a população do Amapá.

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