Capoeira muda a vida de refugiados em áreas de conflito, mostra pesquisa

Publicado em 14/09/2015 - 11:13 Por Giselle Garcia - Correspondente da Agência Brasil/EBC - Londres

Capoeira para refugiados

O projeto Capoeira para Refugiados surgiu em 2007 em Damasco, na Síria. Aulas de capoeira são oferecidas para crianças e jovens de comunidades marcadas por conflitos e guerrasDivulgação/Projeto Capoeira para Refugiados

Pesquisa divulgada pela Universidade do Leste de Londres mostra que a capoeira – arte afro-brasileira que recebeu, no ano passado, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade – tem impacto positivo sobre o estado físico e emocional de crianças e jovens refugiados. Com base em dados coletados de setembro de 2013 a maio de 2015, na Palestina e na Síria, as pesquisadoras concluíram que a capoeira, oferecida de forma contínua a crianças e adolescentes, leva à melhora do estado físico e psicológico, ao desenvolver cinco pontos-chave: estabilidade emocional, tolerância, amizade, força interior e capacidade de brincar.

“A capoeira promove a melhora do condicionamento físico e o desenvolvimento das capacidades, o que gera autoestima. Ao mesmo tempo, como outras artes marciais, exige autocontrole e disciplina. Por meio da incorporação da música e da dança, permite espaço para a criatividade e a expressão pessoal, oferecendo uma dimensão que falta em outras atividades físicas”, explica a pesquisadora Hannah Prytherch.

A pesquisadora Kathryn Kraft enfatiza que, nos casos estudados, foi possível perceber que os apelidos dados aos alunos, típicos da capoeira, bem como os laços criados entre o treinador e as crianças ajudaram a promover a identidade. “Naquele espaço elas sabiam quem eram, elas tinham esse senso de pertencimento”, conta. Outra vantagem, segundo Kathryn, é que a colaboração e a diversidade oferecidas pela capoeira facilitaram o desenvolvimento da tolerância e da aceitação do diferente.

Para a coleta dos dados foram promovidos grupos de discussão com as crianças, entrevistas com professores, treinadores, conselheiros escolares e alunos, além da análise de depoimentos escritos e postagens feitas em grupos específicos no Facebook. Os resultados levaram à elaboração do que as pesquisadoras chamaram de teoria da mudança, que tem entre os pontos-chave a ampliação da capacidade de brincar.

“A ampliação da capacidade de brincar garantiu aos alunos meios de se expressar e chances de aproveitar a infância, levando a um sentimento de felicidade, prazer e liberdade psicológica”, observa o relatório publicado pela Universidade do Leste de Londres.

Capoeira para refugiados

Meninas sírias tocam instrumento durante aulas de capoeiraDivulgação/Projeto Capoeira para Refugiados

Em depoimento fornecido pelas pesquisadoras, um aluno, cuja identidade não foi divulgada, afirmou que um dos principais benefícios da arte é proporcionar a felicidade. “O que mais gosto na capoeira é que, sempre que vou para a aula, eu volto para casa feliz. Eu vou para casa relaxado e continuo de bom humor. Estou sempre com o humor da capoeira, cantando as canções até eu dormir. Eu lavo as louças ouvindo as canções.”

Uma menina, que participava das aulas oferecidas exclusivamente para mulheres, declarou que a capoeira serve para extravasar a dor. “Em vez de sair e agredir uma pessoa que odiamos, jogamos capoeira. Deixamos toda a energia e a dor saírem na capoeira. Deixamos a raiva sair. Quando estamos muito preocupadas ou tensas, jogamos capoeira e relaxamos, esquecemos."

A pesquisa foi conduzida em parceria com o projeto Capoeira para Refugiados, que surgiu em 2007, em Damasco, na Síria. Aulas de capoeira são oferecidas para crianças e jovens de comunidades marcadas por conflitos e guerras. A organização sem fins lucrativos atua na Palestina, na Síria e mais recentemente na Jordânia, mas tem sede em Londres. Além de oferecer as aulas, incentiva a formação de grupos locais que possam continuar a prática de forma independente. Mais informações sobre o projeto estão disponíveis em www.bidnacapoeira.org.

Edição: Talita Cavalcante

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