Edifício A Noite será leiloado neste semestre

Tombado pelo Iphan, prédio é avaliado em cerca de R$ 90 milhões

Publicado em 07/07/2020 - 09:37 Por Andreia Verdélio - Repórter da Agência Brasil - Brasília

O presidente Jair Bolsonaro informou hoje (7) que o leilão do histórico edifício A Noite deve acontecer em agosto ou setembro, em evento virtual. Localizado na Praça Mauá, zona portuária do Rio de Janeiro, o prédio construído em estilo art déco, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 2013, está avaliado em cerca de R$ 90 milhões.

“Mais uma rodada das inúmeras ações de enxugamento dos gastos públicos e desperdício de dinheiro do pagador de impostos”, escreveu o presidente, em publicação nas redes sociais.

Na semana passada, uma equipe técnica da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) realizou a vistoria final do edifício. De acordo com o Ministério da Economia, o edital com o valor mínimo e outros detalhes do processo de venda deve ser publicado nas próximas semanas. “Com a recente aprovação da Lei 14.011, de 10 de junho de 2020, que facilita a venda de ativos da União, o primeiro grande leilão de imóveis do país está livre de dificuldades burocráticas”, informou a pasta.

Inaugurado em 1929, o edifício, de 22 andares e 102 metros de altura, tem projeto do arquiteto francês Joseph Gire, também criador do Hotel Copacabana Palace, e do brasileiro Elisário Bahiana. Foi o primeiro arranha-céu da América Latina e primeiro mirante do Rio de Janeiro.

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) ocupava quatro dos 22 andares e foi o último órgão público a deixar as instalações, em 2012. O prédio abrigou a pioneira Rádio Nacional desde a sua criação, em 1936. O nome A Noite é uma referência ao jornal homônimo que teve sede no local.

Durante a Era do Rádio, nos anos 1940 e 1950, a Rádio Nacional transmitia para todo o país notícias, músicas e novelas. Celebridades da época, como Dolores Duran, Cauby Peixoto, Emilinha Borba e Marlene Alves, atraíam multidões para os shows de auditório.

Os demais andares do prédio eram ocupados pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e também já abrigou consulados. Para o Ministério da Economia, o prédio, que tem vista panorâmica da Baía de Guanabara, tem potencial para diversas utilizações, como um grande hotel ou até a adaptação para uso residencial. A fachada e a escadaria em caracol deverão ser preservadas em razão de seu tombamento.

Edição: Graça Adjuto

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