Ministro defende mais alunos nas salas das universidades públicas

Publicado em 26/02/2019 - 15:42 Por Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil - Brasília

O ministro da Educação, Ricardo Vélez, defendeu hoje (26), em audiência pública no Senado Federal, aumentar o número de estudantes nas salas de aula das universidades públicas. Vélez também disse ser favorável às cotas "enquanto não for resolvida a questão do ensino básico de qualidade para todos".

Segundo os dados do último Censo da Educação Superior, de 2017, no setor privado, que concentra a maior parte das matrículas, há, em média, quase 30 estudantes para cada professor. Nas instituições públicas, essa relação é de 12 estudantes por professor.

"Poderíamos utilizar a excelente qualidade acadêmica das nossas universidades públicas colocando mais alunos em sala de aula, aumentando as vagas no setor público", defendeu. O ministro não chegou a apontar uma relação ideal, mas citou exemplos de países em que essa relação chega a 50 ou 60 estudantes por professor. "Não vejo por que no nosso Brasil não podemos aumentar um pouco mais o número de estudantes na sala de aula".

Uma das questões na qual a expansão das universidades públicas esbarra é na falta de orçamento. "Eu vejo isso com muita preocupação. O país está em uma recessão. Estamos com dificuldades econômicas. É muito difícil manter a dotação orçamentária das universidades públicas da forma como se deu nos períodos da  bonança econômica", explicou. 

O ministro descartou, no entanto, a privatização dessas instituições. "Universidade pública não deve ser privatizada. Mas, por ser pública, precisa ser gerida com responsabilidade", disse. O ministro defendeu o aumento do número de estudantes como forma de otimizar o atual orçamento.

De acordo com o Censo, a maior parte das matrículas do ensino superior está em instituições privadas. Dos cerca de 8,3 milhões, aproximadamente 2 milhões estão em instituições públicas.

Cotas nas universidades

Vélez também defendeu as cotas nas universidades. "É importante que todos tenham acesso a universidade em pé de igualdade. E aí está nossa dívida social. Temos cotas. Defendo as cotas enquanto não for resolvida a questão de ensino básico de qualidade para todos", diz.

A lei de cotas, Lei 12.711/2012, estabelece que metade das vagas das intituições federais devem ser reservadas para estudantes de escolas públicas. Devem ser reservadas também vagas para estudantes negros e indígenas. O número dessas vagas é calculado com base na porcentagem dessas populações no local em que a universidade está inserida.

Educação básica

Na audiência pública, Vélez voltou a defender a melhora da educação básica, que vai do ensino infantil até o ensino médio, como forma de melhorar a qualidade da educação brasileira. Ele também voltou a defender a máxima "Mais Brasil, menos Brasília", defendendo um fortalecimento da gestão da educação nos estados e municípios.

Ele também defendeu o modelo de educação cívico-militar e ressaltou que a pasta tem uma Subsecretaria voltada para ampliar esse modelo de gestão no país.  

Mensagem às escolas

Ao menos três parlamentares questionaram o ministro em relação à mensagem enviada pelo MEC a escolas de todo país com uma carta para ser lida aos estudantes. As escolas deveriam também reunir professores, funcionários e alunos e cantar o Hino Nacional. A ação, voluntária, deveria ser gravada.

Os principais pontos criticados foram o pedido para gravar estudantes, que são menores de idade, e o uso do slogan de campanha do presidente Jair Bolsonaro na carta: "Brasil acima de tudo. Deus acima de todos".

O ministro reconheceu que errou em determinados pontos da mensagem. "O slogan de campanha foi um erro. Já tirei. Reconheci, foi um engano. Quanto à filmagem. Só será divulgada com a autorização da família", disse. Vélez defendeu a prática de cantar o Hino Nacional: "Cantar o Hino Nacional não é constrangimento legal, é amor à pátria".

O ministro participou de audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte no Senado Federal e, por mais de três horas respondeu perguntas de senadores.

Edição: Valéria Aguiar

Dê sua opinião sobre a qualidade do conteúdo que você acessou.

Para registrar sua opinião, copie o link ou o título do conteúdo e clique na barra de manifestação.

Você será direcionado para o "Fale com a Ouvidoria" da EBC e poderá nos ajudar a melhorar nossos serviços, sugerindo, denunciando, reclamando, solicitando e, também, elogiando.

Denúncia Reclamação Elogio Sugestão Solicitação Simplifique
Últimas notícias
.coronavírus, pandemia, Covid-19
Saúde

Secretário adianta pontos da estratégia de vacinação para covid-19

 

Secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Correia, disse que está sendo feito o mesmo cálculo usado na vacinação contra influenza: cerca de 100 milhões de doses.

Palmeiras x Corinthians, Paulistão
Esportes

Corinthians e Palmeiras disputam hegemonia em finais do Paulistão

Decisão do título começa hoje (5) com o primeiro jogo no Itaquerão, às 21h30. Rivais estão empatados em número de vitórias em seis finais do estadual. 

O presidente da República, Jair Bolsonaro, fala durante a solenidade de Posse dos ministros  das Comunicações e da Ciência, Tecnologia e Inovações
Política

Bolsonaro diz a embaixador que Brasil vai ajudar o povo libanês

“O Brasil está solidário e manifestamos esse sentimento ao povo libanês. Estaremos presentes nessa ajuda àquele povo que tem alguns milhões de seus dentro do nosso país”, disse o presidente.

 A Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional se apresenta no Hospital da Criança de Brasília como parte do projeto Concertos da Saúde.
Geral

Orquestra Sinfônica de São Paulo e Masp apresentam série de concertos

Concertos vão combinar arte e música no auditório do Masp. Live será transmitida a partir das 20h no YouTube.

Austrália fecha fronteira estadual pela 1ª vez em 100 anos para deter coronavírus. Na foto, pessoas com trajes de proteção em Melbourne, Austrália
Internacional

Com aumento de mortes por covid-19, Austrália terá mais restrições

Segundo estado mais populoso da Austrália, Vitoria relatou crescimento recorde de 725 novos casos de covid-19, apesar de ter restabelecido o lockdown em Melbourne, a capital.

Teletrabalho, home office ou trabalho remoto.
Economia

Serviço público tem mais pessoal em trabalho remoto que setor privado

Resultados da pesquisa evidenciam desigualdade com números gerais de trabalho remoto no país com recortes também por idade, gênero, raça/cor e escolaridade, diz o Ipea.