Rio cria gabinete de emergência para projeto de água de reúso da indústria

Publicado em 09/02/2015 - 21:53 Por Cristina Indio do Brasil - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

O governo do Rio de Janeiro vai desenvolver um projeto com quatro empresas do Distrito Industrial de Santa Cruz, na zona oeste, para reutilizar água na região da Baia de Sepetiba, onde deságua o Rio Guandu. O secretário de estado do Ambiente, André Corrêa, reuniu-se com representantes das empresas hoje (9) para definir as estratégias. Foi criado um gabinete de emergência que vai se reunir sempre às 14h das quartas-feiras. No primeiro encontro, que vai ocorrer nesta semana, será analisada a construção de um enrocamento (barreira de pedras) para tentar reduzir a quantidade de sal na água do Rio Guandu, que precisa ser filtrada pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) antes de ser utilizada pelas empresas.

De acordo com o secretário, nesse sistema, são utilizados até 12 metros cúbicos de água por segundo apenas para fazer a pressão e evitar que a água salgada entre nas operações de abastecimento das empresas. “O rio passa e ela capta do rio. Só que tem índices de salinidade que ela não consegue operar, porque a água do mar invade. Então, a gente usa uma água para bater no mar e expulsar. A gente quer parar com isso, porque é um uso irracional”, esclareceu. Corrêa acrescentou que a quantidade usada para reduzir a salinidade representa, em quatro dias, o suficiente para o abastecimento da cidade do Rio. “O Rio de Janeiro precisa de 45 metros cúbicos”, disse.

O secretário destacou que esta será a principal medida de curto prazo e representará uma intervenção emergencial. Ele revelou que o custo e a construção do enrocamento ficarão a cargo das empresas e depois será discutido com elas algum mecanismo de compensação. O secretário explicou que o processo tornaria-se mais lento caso fosse feito pelo governo do estado, que precisa cumprir prazos e passar por avaliações dos órgãos de controle.

“Todos estamos no mesmo barco. O Rio de Janeiro entende que é um momento grave e precisamos tomar decisões. Não vamos só fazer orações. Eu sou uma pessoa de fé, óbvio que eu oro por água, mas tem que ter ações concretas. Esta é a mais importante no momento. Ela vai nos permitir fazer uma poupança de água”, analisou, acrescentando que é preciso economizar pensando no período de seca que vem pela frente. “Não é um pouquinho de chuva a mais ou um pouquinho a menos. Precisamos mudar a nossa forma de lidar com a água e as empresas concordaram com isso. Mesmo fora da crise não dá mais para ficar como antes.”

O gabinete de emergência vai analisar também a necessidade de fazer desapropriações de imóveis que fiquem nos locais das obras, tanto do enrocamento quanto da construção de uma nova adutora. O prazo das construções também será decidido nos encontros semanais. “Não pode ser mais do que três meses. Estamos analisando isso. Tem que ser uma construção rápida. Já a construção de uma adutora de 14 quilômetros, eles vão escolher os estudos”, revelou.

O secretário disse que depois de definidos os projetos para atender à região industrial, ele pretende discutir com a Petrobras a questão do reúso de água para a Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense. “A gente acha que pode ter também um uso mais eficiente de água. Por exemplo, ela tem uma outorga hoje que é de uma água nobre que podia ser usada para abastecimento humano e vamos discutir com ela. Isso não acontece de uma hora para outra, de simplesmente cortar o abastecimento de uma empresa que é importante para a economia do estado que gera emprego, que gera renda. Precisamos agir com responsabilidade. Há uma possibilidade técnica, não é coisa de curto prazo, porque precisa de obra”, analisou.

Segundo Corrêa, o governo pode estimular a Reduc a comprar a água da Estação de Esgoto de Alegria. “Ela pode utilizar aquela água de reúso no curto prazo. Vencida a situação do Guandu, o próximo passo é discutir o uso de água da Reduc.”

André Corrêa voltou a dizer que a situação de estiagem do Rio é diferente da de São Paulo e que não está na iminência de um racionamento de água, embora, não se possa descartar que o estado passa por uma situação grave. “Vivemos a maior crise hídrica dos últimos 84 anos, por isso, o governo do estado está sendo proativo, não estamos esperando as coisas acontecerem. Estamos agindo”, disse.

Edição: Fábio Massalli

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