Pesquisa mostra Brasil otimista, mas despreparado para aposentadoria

Publicado em 27/05/2015 - 19:16 Por Alana Gandra - repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro

O Brasil, com nota 6,7, ficou em segundo lugar em termos de otimismo em uma pesquisa internacional para avaliar os hábitos de poupança e planejamento para a aposentadoria. Entretanto, os brasileiros demostraram estar despreparados para a aposentadoria.

Aeronautas, aeroviários aposentados, e pensionistas do Fundo Aerus, que reúne ex-trabalhadores das extintas Varig e Transbrasil, protestam na Advocacia Geral da União (Fernando Frazão/Agência Brasil)

De acordo com a pesquisa, 41% dos brasileiros acreditam que as perspectivas para as futuras gerações de aposentados serão piores Fernando Frazão/Agência Brasil

A pesquisa foi feita em 15 países (Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, China, Espanha, Estados Unidos, França, Holanda, Hungria, Índia, Japão, Polônia, Reino Unido, Turquia e Polônia) pelo grupo global Aegon. A média global de otimismo foi 5,9, considerada baixa pelo critério de avaliação. A liderança ficou com a Índia, com nota 7.

Este foi o quarto ano da pesquisa e marca a segunda participação do Brasil. Foram entrevistadas 16 mil pessoas nos 15 países, sendo 14,4 mil trabalhadores ativos e 1,6 mil aposentados, dos quais mil no Brasil. O resultado da pesquisa foi divulgado hoje (27).

O Índice Aegon de Preparo para a Aposentadoria leva em conta aspectos como a responsabilidade pessoal para obter renda na aposentadoria, nível de consciência em relação a esse preparo, formação de poupança, entre outros. O índice varia de 0 a 10. Até a nota 6, significa um preparo fraco para a aposentadoria; entre 6 e 8, preparo médio; e de 8 a 10, alto preparo.

O superintendente de Projetos Estratégicos da Mongeral Aegon no Brasil, Leandro Palmeira, informou que dos países que integram o Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o Brasil e a Índia tiveram as notas mais elevadas, embora elas não reflitam ainda um preparo alto para aposentadoria.

Por serem economias emergentes, os dois países têm fatores em comum, como sistemas de Previdência pública “bem desenvolvidos, generosos e de inclusão social”. No Brasil, Leandro Palmeira destacou o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que abrange grande número de indivíduos de diversas faixas de renda recebendo pensões do sistema público. Por isso, boa parte do índice é influenciada pela percepção que as pessoas têm da cobertura que é garantida pela seguridade social.

“O que isso gera de preocupação é que a condição que a gente tem hoje no sistema público de benefícios de Previdência não é sustentável no longo prazo. Existe um sinal amarelo com essa situação, que pode não se sustentar no futuro”, argumentou o superintendente. Ele lembrou que, quando os dados foram coletados, em fevereiro, o país não estava passando pela atual crise nem havia sido anunciado o ajuste fiscal, que poderá resultar em mudanças na área da Previdência Social.

De acordo com a sondagem, 52% dos brasileiros se mostraram otimistas e acreditam em mudanças positivas no cenário econômico do país nos próximos 12 meses, contra 35% que esperam piora. Em contrapartida, quando indagados sobre as perspectivas para as futuras gerações de aposentados, 41% dos entrevistados no Brasil disseram que a situação vai piorar.

Idosos, terceira idade, idoso

O principal desafio no contexto do Brasil, na área do preparo para a aposentadoria, está no planejamento, mostra pesquisaMarcello Casal Jr/Agência Brasil

O principal desafio no contexto do Brasil, na área do preparo para a aposentadoria, está no planejamento, indica a pesquisa. Dos consultados, 23% disseram ter um plano alternativo de aposentadoria, como um plano de previdência privada ou poupança regular; 47% disseram que sabem como fazer, mas não têm nada registrado; e 28% disseram não ter planejamento.

Outro fator preocupante, segundo Palmeira, é a falta de planejamento em relação a um plano B, caso a pessoa não consiga ter geração de renda até a idade de aposentadoria: 57% dos entrevistados brasileiros disseram que, se forem obrigados a parar de trabalhar antes de se aposentar, vão precisar resgatar dinheiro das economias. Outros 24%, em um caso desses, se apoiarão na renda do cônjuge.

A pesquisa mostra que ainda é pequeno o percentual de pessoas que têm hábito de poupar no Brasil, pensando no futuro. Os poupadores habituais, que têm depósitos em caderneta de poupança ou planos de previdência privada, são 38% do total, com média de 38 anos de idade. Está bem dividida a proporção entre homens (55%) e mulheres (45%), e a renda mensal chega a R$ 4,7 mil.

Outro grupo é o dos aspirantes (22%) – pessoas que querem poupar, mas ainda não iniciaram esse processo por motivos variados. Eles têm em torno de 36 anos, são mais mulheres (61%) do que homens (39%) e têm renda mensal de R$ 2,2 mil. Leandro Palmeira recomendou que, quanto mais cedo as pessoas comecem a poupar, mais preparadas estarão para a aposentadoria.


Fonte: Pesquisa mundial mostra Brasil otimista, mas despreparado para a aposentadoria

Edição: Fábio Massalli

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