Em dia de revista em prisões de Manaus, PM encontra 66 celulares

Famílias aguardam do lado de fora, na beira da rodovia, sobre

Publicado em 12/01/2017 - 22:03 Por Marcelo Brandão - Enviado especial a Manaus - Manaus

 

Manaus - Agentes da Força Nacional e policiais militares bloqueiam a estrada que leva ao Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Agentes da Força Nacional e da PM bloqueiam a estrada que leva ao Complexo Penitenciário Anísio Jobim            Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Militar (PM) do Amazonas e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) deram continuidade hoje (12) às revistas nas celas das unidades prisionais do estado. Hoje, passaram pela revista as celas do Centro de Detenção Provisória de Manaus (CDPM). É a quinta unidade visitada desde o início das revistas, no dia 5 de janeiro.

Foram encontrados 66 celulares, três algemas, 32 carregadores de aparelho celular, dez porções de entorpecentes, 23 joias, 381 estoques e 45 ferramentas. Os agentes também acharam R$ 725,95 em dinheiro. De acordo com a Seap, a revista foi “minuciosa”, feita por 150 policiais militares, além de servidores da secretaria e militares do Exército.

Do lado de fora, espera

O CDPM fica próximo ao Complexo Prisional Anísio Jobim (Compaj) e ao Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), e o acesso a partir da rodovia é o mesmo. Durante a tarde, às margens da pista, centenas de parentes de presos aguardavam pela autorização para entrar. Hoje seria dia de visita e entrega do “rancho”, as comidas que os parentes levam para os presos, mas desde a rebelião e mortes de detentos, nos dois primeiros dias do ano, que as visitas estão suspensas.

 

Manaus - Mesmo com a suspensão de visitas aos detentos do Complexo Penitenciário Anísio Jobim, familiares formam filas para tentar entregar alimentos e roupas (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Mesmo com a suspensão de visitas aos detentos, familiares formam filas para tentar entregar alimentos e roupas Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ainda assim, muita gente foi, acreditando que poderia entrar. Sentados à beira da pista, os parentes de detentos se abrigavam da chuva e do forte sol que se intercalavam no início da tarde. Os agentes da Força Nacional e da PM, posicionados na pista de acesso ao complexo penitenciário, não tinham qualquer informação para passar às famílias, e apenas lhes negavam a entrada.

Seu João é pai de uma moça presa na ala feminina. Ele tentava obter informações sobre a entrada de comida e também sobre as visitas, mas não tinha sucesso. "Tinham me falado que poderíamos entrar, mas o policial disse que não vai entrar ninguém. Todo mundo trouxe rancho para as pessoas. Vou aguardar um pouco mais. Depois que começou a rebelião não entrou mais ninguém”.

Dona Ivone é uma das mães que tentaram obter notícias na tarde quente, em frente ao acesso às penitenciárias. Seu filho, preso por roubo, está no Ipat, e ela torce para que ele seja solto em breve, agora que contratou um advogado. O rapaz estava preso no local, no dia da rebelião que matou 56 pessoas. “No dia da fuga a esposa dele estava aqui. Chegou em casa apavorada, dizendo o que tinha acontecido. Eu pedi para o meu filho não se envolver em fuga, em nada e ele não se envolveu”.

Ela é uma das mães preocupadas com supostas agressões que ocorrem durante revistas nas celas. Ela não revela a fonte da informação, mas outros pais disseram conseguir imagens de celular e até conversar com os próprios presos, que relatam as agressões. “Eu queria que os direitos humanos fossem lá no Ipat para acompanhar as revistas, porque eles estão batendo neles. Fiquei sabendo por outras pessoas. Eu, como mãe, vim ver”.

Edição: Stênio Ribeiro

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