Somente 30% do lixo hospitalar vai para incineração, aponta Abrelpe

Resíduos de saúde infectantes apresentam maior risco ambiental

Publicado em 06/04/2023 - 10:33 Por Sayonara Moreno- Repórter da Rádio Nacional - Brasília

Durante a pandemia de covid 19, em todo o mundo, a Organização Mundial de Saúde calcula o houve o descarte de mais de 200 mil toneladas de resíduos de saúde, como seringas, agulhas, testes e equipamentos de proteção individual dos profissionais.

No Brasil, as regras sobre o assunto estão previstas em resolução da Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que chama de RSS, Resíduos de Serviço de Saúde. A gerente de Hotelaria do Hospital Albert Einstein, Ana Paula Santos, explica que o manejo dos RSS vai de acordo com o tipo do resíduo. Quando não for possível o tratamento, vira rejeito e precisa de destinação adequada.

"Os resíduos de serviço de saúde que não apresentam risco biológico, químico ou radiológico podem ser encaminhados para reciclagem, para recuperação, para reutilização, compostagem, aproveitamento energético ou logística reversa. Os demais não, esses requerem seguir exatamente o que preconiza a RDC 222".

A resolução da Anvisa classifica os resíduos de saúde em cinco grupos: os infectantes, os químicos, rejeitos radioativos, resíduos comuns e os perfurocortantes. Entre eles, os infectantes apresentam maior risco ambiental: é o caso de sangue, secreções, partes de órgãos, resíduos de laboratórios de análises, entre outros.

A professora da Faculdade de Engenharia Civil e Arquitetura da Unicamp, Emília Rutkowski, alerta que o lixão é, definitivamente, a pior forma de descarte dos resíduos de saúde.

"A Vigilância Sanitária tem um papel fundamental em todos os municípios para fazer essa fiscalização. Mesmo para ir para o aterro sanitário, é importante que haja uma desinfecção adequada anteriormente e tomar muito cuidado com a embalagem , onde se coloca o resíduo, para que ela não rasgue e não seja perfurada por materiais perfurocortantes".

Apesar das normas da Anvisa, os hospitais brasileiros parecem estar longe de se adaptar. A Abrelpe, Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, calcula que somente 30% do lixo infectante é destinado corretamente, no Brasil, a chamada incineração. Quase 30% são destinados a aterros sanitários e mais de 15% para os lixões, totalmente expostos no meio ambiente.

Apesar de não serem considerados lixo hospitalar, os medicamentos também devem ter um descarte cuidadoso. Na hora de se desfazer de remédios vencidos ou sem uso, é preciso buscar por farmácias ou unidades de saúde que realizam esse tipo de coleta.

 

Rádio Nacional apresenta um especial com cinco reportagens sobre Resíduos Sólidos. As matérias serão publicadas de 3 a 7 de abril. Essa é a quarta da série. Confira a relação completa abaixo:

  1. Brasil gera cerca de 80 milhões de toneladas de resíduos por ano
  2. Plano Nacional de Resíduos Sólidos prevê fim dos lixões
  3. Descarte incorreto: 70% das pessoas não separam o lixo
  4. Somente 30% do lixo hospitalar vai para incineração, aponta Abrelpe
  5. Logística reversa dá destinação para produtos pós consumo

 

Ficha técnica:

Reportagem: Sayonara Moreno

Produção: Lucineia Marques

Sonoplastia: Jailton Sodré

Edição: Leila Santos

Publicação na Radioagência Nacional: Marizete Cardoso

Edição: Leila Santos - Marizete Cardoso

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